Eletrônica e Informática

Startups do segmento de tecnologias limpas estão concentradas nas regiões Sudeste e Sul do país

As cleantechs, como são chamadas as startups do segmento de tecnologias limpas, do Brasil têm peculiaridades. Por exemplo, 34% dos fundadores de cleantechs têm 31 a 40 anos, diferente do padrão característico das outras startups. Nelas, os fundadores costumam estar na casa dos 20 anos. Ou seja, os fundadores das cleantechs têm um perfil jovem, mas com acúmulo de experiências e aprendizados em suas jornadas profissionais.

Quase 80% dessas startups estão nas regiões Sudeste e Sul. Além delas, Pernambuco foi o estado com maior destaque, principalmente pelo impulso do Porto Digital. Além das disparidades entre as regiões, alguns hubs se destacam no mapeamento, como a agência de pesquisa Inova Unicamp, em Campinas (SP) e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais.

Esses dados fazem parte do estudo inédito “Impacto do ecossistema de startups no setor elétrico brasileiro”, que traça o perfil das empresas e contou com a participação de 136 cleantechs de todo o país. A pesquisa é fruto de uma parceria entre a EDP, empresa do setor elétrico; GVces – Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV); o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a ABStartups e a Statkraft; e viabilizado pelo Programa P&D.

De acordo com o estudo, um dos gargalos do setor é a margem operacional: 39% ainda estão no negativo. Além do alto investimento que os empreendimentos demandam, fatores como os ciclos extensos de pesquisa e desenvolvimento trazem mais dificuldade para a operação e crescimento em um mercado de investidores avessos ao risco ou que demandam rápido retorno. Isso se reflete nos desafios percebidos pelas startups do segmento. Em uma lista com nove opções em que se podia escolher mais de um item, os mais citados foram: expandir o negócio (63%), acessar serviços financeiros (62%) e comunicar proposta de valor (46%).

Sobre o tipo de negócio, 41% das empresas pesquisadas atuam no segmento de energia limpa e 71% atuam no B2B (business to business). A grande maioria (82%) possui de um a três sócios e 49% já receberam algum aporte de capital. Dentre as que receberam recursos, a modalidade mais frequente foi o “investimento-anjo”. O cruzamento entre os dados revela que 21% das empresas que receberam algum recurso são de eficiência energética e 18% de energia limpa.

No que diz respeito à cooperação entre startups e grandes empresas no setor de energia, 79% das cleantechs já participaram de algum tipo de programa. Apesar disso, a maior parte delas revela um comprometimento instrumental, como co-desenvolvimento de produtos ou serviços. As corporate venture capital e as aquisições/joint ventures, que demandam negociações e estratégias mais profundas, têm pouca incidência – apenas 9,5% empresas do segmento recebeu esse tipo de investimento.

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