Eletrônica e Informática

Tecnologia aliada à identificação de EPI pode ajudar a reduzir acidentes relacionados à energia elétrica

O Brasil registrou, no ano passado, mais de dois mil acidentes elétricos. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) revelam um aumento de 11% de acidentes em 2024 em relação ao ano anterior. Com esse crescimento, organizações entendem a necessidade de não apenas implementar, mas monitorar a conformidade do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), uma prática que pode ser realizada por meio de inteligência artificial e visão computacional.

 

Com o avanço da tecnologia, a fiscalização de equipamentos de segurança pode ser realizada por meio da implementação de sistemas avançados de rastreabilidade, garantindo a manutenção da validade e utilização.

 

Soluções que garantam essa automatização possibilitam a capacidade de coletar, armazenar e analisar dados para a identificação de tendências, problemas e pontos de melhoria dos equipamentos. Exemplo disso é o Electrician Safety System, da Fu2re, scale-up especializada em soluções de IA para as indústrias de energia, óleo e gás.

 

Segundo André Sih, founder & managing partner da Fu2re, hoje, muitos profissionais da área elétrica carregam câmeras portáteis para registrar a rotina de trabalho, no entanto, o monitoramento é limitado. “Condutas de risco devem ser revisadas, mas frequentemente isso não ocorre, o que compromete a segurança, a conformidade regulatória e a prevenção de acidentes”, afirma o executivo.

 

Conforme a Norma Reguladora 6 (NR-6), o EPI é fundamental para garantir segurança e bem-estar dos colaboradores em ambientes com alto risco de acidentes, sendo um dispositivo indispensável nos protocolos de segurança do trabalho. Apesar de fundamental, o monitoramento pode ser um desafio e é propenso a erros humanos durante a monitorização manual.

 

Para superar as limitações da supervisão manual, organizações podem explorar tecnologias modernas, como a visão computacional, para o monitoramento da conformidade consistente. O Electrician Safety System (SSE), por exemplo, visa automatizar a análise dos vídeos de campo, ampliando drasticamente a capacidade de monitoramento das concessionárias.

 

O sistema recebe os vídeos da jornada de trabalho das equipes e aplica IA e visão computacional. Dessa forma, é possível detectar o uso correto ou incorreto de EPIs e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) durante as operações, e as condutas perigosas durante deslocamentos, com análise baseada em regras de trânsito.

 

“As gravações de até oito horas são segmentadas em blocos organizados por intervenção, gerando pequenos vídeos com apenas os trechos relevantes. Os momentos de deslocamento são separados e avaliados de acordo com regras de direção segura, e todos os resultados ficam disponíveis em um portal em nuvem, onde os técnicos de segurança podem acessar e revisar as análises de forma simples e centralizada”, complementa Sih.

 

Projetos dessa frente são capazes de demonstrar a eficácia e a escalabilidade do sistema para as grandes distribuidoras de energia. O sistema segmenta, de forma automática, cada operação, identifica alertas de uso ou não de equipamentos, calcula um índice de segurança para acompanhamento e classifica o tipo de atividade realizada.

 

Com a solução da Fu2re, já foram mais de 20 mil horas gravadas processadas, 2,7 mil turnos monitorados e pelo menos 6,6 mil operações identificadas e categorizadas. “Com esses números, continuamos aperfeiçoando nossos serviços para garantir a segurança dos trabalhadores e a conformidade regulatória”, finaliza o executivo.

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