Tupy registra queda de 9% na receita líquida em 2025
A Tupy, multinacional brasileira, registrou receita líquida de R$ 9,7 bilhões em 2025, redução de 9% em relação ao ano anterior. O resultado reflete principalmente a queda de 10% no volume físico de vendas, em um cenário de menor demanda por veículos comerciais no Brasil e no exterior. O desempenho foi parcialmente mitigado pelo crescimento de dois dígitos no segmento de peças de reposição e na unidade de Energia & Descarbonização.
O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 915 milhões, impulsionado por iniciativas de gestão de capital de giro e pela estratégia de manter o volume produzido abaixo do volume de vendas, além da venda de créditos tributários. Trata-se da segunda maior geração de caixa operacional da história da companhia.
O EBITDA Ajustado totalizou R$ 661 milhões, com margem de 7%, registrando queda em relação ao mesmo período de 2024. Este resultado foi impactado pela redução dos volumes de vendas e produção, que afetou a diluição de custos fixos e os indicadores de qualidade, além de efeitos cambiais.
A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 655 milhões em 2025, em razão, principalmente, de impactos de R$ 544 milhões decorrentes de iniciativas voltadas ao aumento da eficiência operacional, que trarão ganhos já a partir de 2026.
“2025 foi um ano marcado por um ambiente macroeconômico desafiador e menor demanda por veículos comerciais, o que impactou nossos volumes. Mesmo assim, mantivemos disciplina operacional, geramos caixa relevante e avançamos na reorganização da nossa estrutura produtiva para fortalecer a eficiência e sustentar o crescimento nos próximos anos”, comenta Rafael Lucchesi, CEO da Tupy.
O ambiente macroeconômico global foi marcado por incertezas relacionadas a tarifas comerciais, indefinições regulatórias sobre emissões e indicadores mais fracos no setor de transporte rodoviário, o que levou empresas a postergar a renovação de frotas e reduziu a demanda por veículos comerciais, especialmente nos Estados Unidos.
No Brasil, juros elevados, inadimplência recorde e o desempenho do agronegócio também pressionaram as vendas de veículos comerciais pesados, impactando as unidades de Componentes Estruturais e Contratos de Manufatura.
Diante desse cenário, a Tupy promoveu ajustes em sua estratégia industrial e avançou na reorganização de seu impacto produtivo. Além disso, novos contratos conquistados nos segmentos de veículos comerciais e off-road deverão gerar receitas incrementais estimadas em R$ 1,4 bilhão ao longo dos próximos anos, com expectativa de faturamento de cerca de R$ 600 milhões em 2026 proveniente desses novos projetos.
MWM – A MWM consolidou-se como um importante vetor de diversificação e resiliência para a companhia. Em 2025, a subsidiária representou 27% da receita líquida consolidada, totalizando R$ 2,6 bilhões. Apesar de uma leve retração de 3% em relação ao ano anterior, a unidade ampliou sua margem EBITDA para 10%, refletindo ganhos de produtividade, melhoria do mix de produtos e efeitos das iniciativas de reestruturação operacional implementadas desde 2024.
O segmento de reposição apresentou crescimento de 12% no ano, impulsionado pelas linhas “Masterparts” e “Opcionais”, que avançaram mais de 40% e já representam cerca de 20% das vendas da unidade. Já a unidade de Energia & Descarbonização registrou crescimento de 16% nas receitas em 2025, com destaque para a expansão do mercado de grupos geradores e para novos negócios ligados à cadeia de biocombustíveis e transformação veicular.

