Eletrônica e Informática

Usina gêmea de Angra 1 na Eslovênia tem vida útil estendida para 60 anos

O governo da Eslovênia concedeu licença ambiental para estender a vida útil da usina nuclear Krsko – de tecnologia Westinghouse, irmã gêmea de Angra 1 – de 40 para 60 anos. Assim, a planta, que conta com um reator de 688 MW,  pode operar até 2043. O anúncio foi feito em 13 de janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente e Planejamento Espacial do país.

No mundo todo, é comum os países que investem em energia nuclear estenderem a vida útil dessas usinas. É uma forma de ampliar a geração com menos investimento e num prazo menor. Recentemente, a Bélgica chegou a um acordo com a concessionária de energia francesa Engie para prolongar em dez anos o tempo de operação de dois dos seus reatores, revertendo a decisão de colocar um ponto final à energia nuclear no país até 2025. A medida foi motivada pela crise energética ocorrida em razão da guerra na Ucrânia.

Por sua vez, os Estados Unidos já estenderam a vida útil de mais de 70 usinas nucleares; na maioria dos casos, de 40 para 60 anos. No entanto, o país já iniciou estudos para ampliar o tempo de operação dessas plantas para 80 anos. França e República Checa, entre outras nações, também já realizaram o prolongamento da vida útil de reatores nucleares.

Seguindo essa tendência mundial do setor nuclear, a Eletronuclear já iniciou um programa para estender por 20 anos, até 2044, a vida útil de Angra 1, primeira usina nuclear brasileira, que entrou em operação comercial em 1985. A unidade fica localizada, juntamente com Angra 2 e Angra 3, cujas obras foram retomadas em novembro, na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis (RJ).

FINANCIAMENTO  – Há pouco tempo, a empresa recebeu parcela de US$ 12.998.909,49 de financiamento internacional obtido junto ao Santander para o Programa de Extensão da Vida Útil de Angra 1. A operação tem garantia do US Exim Bank, agência de créditos oficial do governo dos EUA. e contragarantia da Eletrobras.

O montante vai reembolsar gastos já realizados pela empresa no âmbito do Engineering Multiplier Program (EMP), programa que engloba estudos de viabilidade e serviços de pré-engenharia, design e meio ambiente. O valor total do financiamento contratado é de US$22.262.331,00.

A amortização dos recursos já liberados será feita em 10 parcelas semestrais de igual valor na modalidade SAC (Sistema de Amortização Constante). A taxa de juros aplicada no contrato é o Term Sofr de seis meses, que substituiu o Libor, com um spread de 1,05% ao ano.

Essa operação representa um passo decisivo na consolidação do relacionamento da companhia com o US Exim Bank, marcando o retorno da agência multilateral do governo norte-americano à concessão de financiamentos a projetos na área nuclear. Além disso, já está sendo discutido um empréstimo de longo prazo, no valor estimado de US$ 430 milhões, voltado aos projetos que serão implementados no âmbito do programa implementado pela Eletronuclear em Angra 1, envolvendo os fornecedores Westinghouse, Holtec e Siemens.

Com investimentos significativos em melhorias, é possível ampliar o tempo de operação da usina, gerando, assim, mais energia para o sistema elétrico a um custo competitivo. É como se 640 MW novos fossem agregados à rede a partir de 2025. Considerando o tempo médio de funcionamento de uma planta nuclear, a concretização do programa equivale a construir meia usina por bem menos que metade do preço de uma nova.

Entre as ações que a Eletronuclear vem realizando nesse contexto, estão programas de gerenciamento de envelhecimento da usina e a implementação de vários procedimentos. Esses trabalhos contam com o suporte técnico da americana Westinghouse.

Também, apesar de Angra 2 ainda ter metade de sua vida útil pela frente, a companhia já está realizando estudos para implementar na usina um programa de gestão do envelhecimento de sistemas, estruturas e componentes, nos mesmos moldes de Angra 1. (foto: divulgação/Eletronuclear).

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