Eletrônica e Informática

Fivel 2019 reúne 72 empresas do Vale da Eletrônica e deve movimentar R$ 1 bilhão

A 15ª. edição da Feira Industrial do Vale da Eletrônica (Fivel 2019) foi realizada de 20 a 22 de agosto, na Escola Técnica de Eletrônica (ETE), em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais. O evento reuniu 72 empresas das 153 do Vale da Eletrônica, além de fornecedores e parceiros de outras regiões. “Esses parceiros e fornecedores representam cerca de 12% dos expositores”, disse Roberto de Souza Pinto, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), que representa as empresas do Arranjo Produtivo Local (APL).

Apesar crise econômica que o Brasil experimenta desde 2014, as empresas do Vale da Eletrônica parecem estar se saindo relativamente bem, investindo em soluções inovadoras. Somente na Fivel, foram lançados mais de 60 novos produtos de base tecnológica. “Desde 2014, não tivemos desemprego em massa”, afirma Pinto.

De acordo com Pinto, a Fivel tem grande impacto para a economia da cidade e também para as empresas. A Fivel 2019 deverá gerar cerca de R$ 1 bilhão, em 18 meses depois da realização da feira, sem contar os eventuais resultados da Rodada de Negócios, que foi realizada pela primeira vez na Fivel desse ano. Em 2018, o faturamento das empresas do APL chegou a R$ 3,2 bilhões.

Durante a Rodada de Negócios, que foi realizada pela primeira na feira para conectar as grandes empresas mineiras com potenciais fornecedores, foram realizadas 96 reuniões. Para Pinto, a Rodada de Negócios poderá ser realizada nas próximas edições da Fivel. “É uma experiência, que se for positiva será repetida em outras edições, com a possível inclusão de empresas de outros estados”, comenta.

Os visitantes da feira não se limitam a brasileiros. Representantes de diversos países da América do Sul, Central, Europa e Ásia participaram do evento.

Veja a seguir, o que foi destaque em alguns dos principais estandes da Fivel 2019.

INATEL

Uma pequena mostra do potencial de inovação da cidade pode ser vista no estande coletivo das startups do Inatel, que abriga 18 empresas nascentes de base tecnológica. Entre elas seis já estão no mercado, duas são incubadas e quatro são protótipos. Ao longo de sua história, a incubadora já graduou 58 empresas. As empresas geram cerca de 800 empregos diretos e 1,6 mil indiretos, considerando as graduadas e incubadas.

Entre as empresas que participavam do estande coletivo estava a Laager Inovação, uma spin-off da Laager, sediada em São Paulo. A empresa trabalha com telemetria, focada em água, gás e energia e monitora 50 mil pontos, no estado de São Paulo.

“Ajudamos as empresas a utilizar os recursos de forma mais racional”, explica, o diretor da Laager Inovação, Antonio Claudio de Oliveira, destacando que um dos serviços que sua empresa oferece é a individualização de consumo de água em condomínios. “O dado sobre o consumo vai para nuvem e pode ser baixado num celular.” Um dos diferenciais tecnológicos da solução está no fato de ser multiplataforma, conectando-se com diferentes sistemas de comunicação, como LoRa, SigFox, NB-IoT e Bluetooth.

Outra empresa presente no estande coletivo do Inatel foi a Fábrica3D, graduada no final de 2018, segundo o diretor Leonardo Cunha. A companhia produz a impressora PRT3V2, que utiliza tecnologia FDM, e imprime com materiais como ABS, PLA, PETG, Flex e outros.

A empresa comercializa essa impressora com preço a partir de R$ 3,5 mil, mas somente se o pedido for de 3 ou mais unidades. “Nosso foco é mais a prestação de serviços”, diz Cunha, explicando que para ter uma peça impressa em 3D basta fazer um pedido online e mandar o modelo no formato STL. “Uma peça pequena, simples, demora mais ou menos um dia para ser enviada”, afirma.

PIXEL

Empresa fundada em Santa Rita do Sapucaí (MG) em 2003, a Pixel mostrou soluções de desenvolvimento totalmente nacional de automação residencial. As soluções da empresa vão desde fechaduras, smart plugs, controle de aparelhos eletrodomésticos, liga e desliga de água, gás e outros, tudo via internet. Os equipamentos contam com sistemas de comunicação Zigbee e Bluetoth.

As soluções são desenvolvidas e produzidas internamente à empresa, de acordo com Claudio Ribeiro, diretor de Marketing da companhia. Assim, a empresa produz os diferentes hardwares, o gateway, a plataforma na nuvem e os aplicativos. As soluções podem ser adquiridas individualmente. Para quem utiliza várias das soluções, recomenda-se a aquisição do gateway para conectar todos os equipamentos na rede.

Segundo o executivo a instalação dos equipamentos é simples, não exigindo a contratação de mão de obra especializada. “É tudo autoexplicativo”, afirma.

SENAI

As empresas de Santa Rita do Sapucaí e região contam com um forte aliado: a escola Senai da cidade, que não só forma recursos humanos, como também conta com laboratório bem equipado para oferecer vários serviços. “O laboratório foi criado há seis anos, numa parceria do governo de Minas com o BID”, conta o Técnico de Industrial, Alberto da Silva Martins.

Segundo Martins, entre os serviços que a unidade do Senai oferece está o escaneamento 3D, que é muito utilizado para engenharia reversa e aprimoramento de produtos, consultoria em eficiência energética, pesquisa e desenvolvimento – os clientes apresentam uma ideia e os profissionais do Senai estudam a vida útil do produto, integração de hardware e software etc.

Outro serviço bastante requisitado é relacionado às placas de circuito impresso. O Senai pode produzir desde a placa nua, fazer o layout e montar a placa SMD. “Hoje fazemos projeto multilayer com até 8 camadas”, explica.

A impressão 3D também faz parte do rol de serviços oferecidos. Para isso, o laboratório utiliza uma impressora Objet260 Connex, produzida pela Stratasys, que suporta diferentes materiais de impressão.

A unidade do Senai presta serviços não só para as empresas da região, como de todo o país. “Nosso principal cliente para impressão 3D fica no Rio de Janeiro”, encerra Martins.

PSP DO BRASIL

A PSP do Brasil apresentou na Fivel a solução de montagem de placas de circuito impresso para volumes relativamente baixos de produção e protótipos. Trata-se da pick and place com capacidade para montar até 2,5 mil cph, NeoDen BR 3V, que tem base instalada no Brasil de cerca de 100 unidades. O equipamento é produzido na China.

A PSP prevê a produção local de um modelo de com capacidade 10 mil cph. Será o modelo NeoDen BR 7, cuja produção no Brasil está planejada para meados de 2020. “Será o único modelo a ser fabricado no Brasil”, afirma o gerente de Tecnologia Dalton Silva, frisando que a NeoDen fará a transferência de tecnologia e o modelo terá índice de nacionalização suficiente para ter o financiamento do BNDES.

O executivo comenta que o mercado de Santa Rita do Sapucaí e região é estratégico para a PSP, representando de 10% a 15% das receitas da empresa.

FUJI DO BRASIL

A Fuji do Brasil expôs a SPI KY8030-2, fabricada pela Koh Young Technology, da Coreia do Sul. O equipamento é destinado à inspeção de pasta de solda em 3D.

“A Fuji trabalha com solução completa para SMT. E entre os equipamentos está a SPI para controle de qualidade de pasta de solda”, afirma Leandro de Bastos, da área de Vendas da Fuji, frisando que a empresa sul-coreana é líder do segmento, com mais de 50% do market share mundial. “São mais de 300 unidades no Brasil”, complementa.

Bastos explica que a SPI é aplicada em qualquer empresa que queira ter maior controle de qualidade das placas eletrônicas. “Cerca de 70% dos defeitos nas placas de circuito impresso são relacionados à pasta de solda”, comenta o executivo, destacando que quanto mais cedo se pega o defeito na linha de produção, menor será o custo do reparo. Ele salienta também que a inspeção visual se torna cada vez mais insuficiente para atestar a qualidade da soldagem

ALFATEC

A Alfatec/Vimaf apresentou sua linha de soluções para soldagem eletrônica, que inclui solda em fio, em barra, pasta, cleaners, fluxos e acessórios da marca Alfatec.

De acordo com Oglesio Manetti, representante Comercial da companhia, toda a linha é produzida no Brasil. “Em breve passaremos a produzir pó de solda l e também o fluxo, em Manaus (AM). A produção atenderá também outros fabricantes”, afirma, enfatizando que sua empresa será a pioneira do segmento.

Para Manetti, o mercado de Santa Rita do Sapucaí muito importante para sua empresa. “É um mercado com muitas empresas que costumam comprar volumes relativamente pequenos”, comenta.

SOFT METAIS

A Soft Metais apresentou suas soluções para soldagem eletrônica. De acordo com Alesson Nascimento, da área de Vendas da empresa, a companhia oferece toda a linha necessária para aplicação na indústria eletrônica, como barras de solda, pasta de solda, fios de solda, adesivos, fluxos e outros.

De acordo com Nascimento, o mercado de Santa Rita do Sapucaí, embora tenha apresentado alguma redução, é muito importante. Além do Vale da Eletrônica, mercados interessantes para a companhia são os de Caxias do Sul (RS), Garça (SP) e Pato Branco (PR), por exemplo. “O que acontece é as empresas nacionais sofrem com o chamado Custo Brasil”, afirma.

A Soft Metais procura estar próxima de seus clientes. No Sul de Minas Gerais, um profissional da empresa costuma passar pelo menos uma semana ao mês nas cidades que têm uma indústria eletrônica relevante, como Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre e Itajubá.

TDM

Empresa de Santa Rita do Sapucaí, no mercado desde 2000, a TDM destacou suas soluções customizadas para iluminação de emergência de aplicação profissional. “Desenvolvemos soluções para grandes áreas”, informa o diretor da companhia, Dênio Carneiro. Ele explica não são produtos de prateleira. “Trabalhamos com fabricante de grande porte, que integra a iluminação de emergência”, complementa.

O executivo diz que a TDM atua também com produtos de iluminação de emergência de prateleira e também no segmento de réguas (ou placas) de LEDs para aplicação em carrocerias de ônibus. “Essas réguas hoje representam cerca de 50% do nosso faturamento”, calcula. A empresa fornece para montadoras e também para o mercado de reposição.

A TDM exporta para o México, Colômbia, Peru e Chile. De acordo com Carneiro, as vendas externas representam de 5 a 10% do faturamento.

TWS DO BRASIL

A TWS apresentou sua linha de equipamentos para montagem de placas eletrônicas, que inclui printers, pick and place e fornos de refusão, além equipamento para separar a borra, que ocorre durante o processo de soldagem.

A empresa produz parte de sua linha no Brasil, em Caxias do Sul (RS), caso das printers SR 2000 e das pick and places TWS 1150 evo e 1385 evo. “Todos os equipamentos de produção local têm BNDES”, afirma o supervisor Técnico da companhia Rafael Pierozzi.

Segundo Pierozzi, a TWS estuda a possibilidade de produzir o equipamento de solda a onda no Brasil, para tornar mais acessível ao usuário brasileiro.

CEPEDI

O Centro de Pesquisa de Desenvolvimento em Informática e Eletro-eletrônica de Ilhéus (Cepedi) participou da Fivel para divulgar seu trabalho de pesquisa e desenvolvimento, tanto na área de software, como de hardware.

Segundo o diretor de P&D do Cepedi José Alfredo Souza, a instituição instalada na Bahia é um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), que trabalha com empresas com incentivo da Lei de Informática.

Atualmente, segundo o diretor de P&D, o Cepedi atende 18 empresas, das quais cinco são do Sul de Minas Gerais. “Atendemos essas empresas mineiras há cerca de cinco anos”, comenta, frisando em 2018, o centro de Ilhéus executou mais de 35 horas de projetos.

Souza diz que o Cepedi tem vocação para desenvolver pesquisa e desenvolvimento em áreas como de automação industrial, IoT e robótica, em hardware e software. “Hoje os projetos que temos são metade na área de software e metade na área de hardware”, calcula.

O diretor diz ainda que o Cepedi tem projetos desenvolvidos para empresas paulistas. Além dos recursos da Lei de Informática, o Cepedi atua com recursos da Lei do Bem. “Garantimos resultados e compliance frente aos órgãos de fiscalização”, encerra.

ENTERPLAK

O Grupo Enterplak atua em duas frentes. A primeira é a de montagem de placas eletrônicas para terceiros. Entre seus clientes está, por exemplo, o segmento automotivo da Bosch. A empresa roda atualmente em dois turnos. “O segundo turno hoje é para SMT, para PTH roda só um turno”, afirma Vânia Costa, gerente Comercial da RW Tech, que pertence ao grupo, destacando que o segmento automotivo representa cerca de 20% no faturamento.

Na Fivel, o grupo buscou dar mais visibilidade à RWTech, que produz soluções para controle e acesso. O carro-chefe da companhia nesse segmento é o software de aprovação de ponto, que é focado em funcionários externos, como vendedores e motoristas por exemplo.

“O RH recebe a informação em tempo real, por geolocalização. O funcionário bate o ponto onde estiver. Basta ter um celular”, explica Vânia, frisando que muitas transportadoras usam a solução da companhia. (foto: divulgação)

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