Eletrônica e Informática

Brasil terá primeiro laboratório de máxima contenção biológica do mundo conectado a uma fonte de luz síncrotron

O Brasil será o primeiro país da América Latina a ter um laboratório de máxima contenção biológica, conhecido como NB4, e o primeiro do mundo conectado a uma fonte de luz síncrotron. Com isso, passará a dispor de condições para lidar com patógenos que podem causar doenças graves. O novo laboratório de biossegurança será implantado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que desenvolveu e opera uma das três fontes de luz síncrotron de quarta geração do mundo, o Sirius. Os dois projetos foram incluídos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Até 2026, o NB4 receberá investimentos da ordem de R$ 1 bilhão em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O complexo laboratorial de 20 mil metros quadrados possui uma proposta inédita na história dos síncrotrons e dos laboratórios de biossegurança: uma conexão com três linhas de luz do Sirius. Devido a esta conexão, o NB4 recebeu o nome Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela Sirius.

“A pandemia recolocou no centro do debate a importância do domínio nacional de uma base produtiva em saúde, bem como o papel do estado na coordenação de agentes e investimentos no enfrentamento da crise sanitária. Nesse contexto, a implantação do laboratório de biossegurança nível 4 é estratégica para o país. E a conexão entre o NB4 e a fonte de luz síncrotron abrirá grandes oportunidades de pesquisa e desenvolvimento na área de patógenos, posicionando o Brasil como liderança global”, afirmou a ministra Luciana Santos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Atualmente, há cerca de 60 laboratórios de máxima contenção biológica no mundo, mas nenhum deles na América do Sul, Central ou Caribe. Esse tipo de infraestrutura reúne uma série de medidas avançadas e redundantes de proteção e biossegurança, que possibilitam a manipulação de vírus enquadrados na Classe 4.

SIRIUS – Também incluído no Novo PAC, o Sirius, maior e mais complexa infraestrutura científica do país, receberá R$ 800 milhões em investimentos até 2026. Os recursos também são do FNDCT.

O Sirius utiliza aceleradores de elétrons para produzir um tipo especial de luz, chamada de luz síncrotron, que é utilizada para investigar a composição e a estrutura da matéria em suas mais variadas formas, com aplicações em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Em uma fonte de luz síncrotron, os experimentos são realizados em estações de pesquisa, chamadas linhas de luz, onde é possível observar aspectos microscópicos dos materiais, como os átomos e moléculas que os constituem, seus estados químicos e sua organização espacial, além de acompanhar a evolução no tempo de processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em frações de segundo.

O Sirius foi projetado para receber até 38 linhas de luz, dedicadas a diferentes técnicas e aplicações. Dessas, três estações de pesquisa serão conectadas ao complexo laboratorial Orion – uma empreitada inédita no mundo.

Com os novos investimentos, o Sirius entrará em uma segunda fase, o que inclui o projeto e a construção de dez novas estações de pesquisa.

“Os desafios estratégicos que o Brasil e o mundo enfrentam e a busca de soluções sustentáveis nas áreas de energia, saúde, alimentação e meio ambiente exigem ferramentas cada vez mais avançadas. Para projetarmos materiais mais leves e resistentes, melhores fármacos, fontes de energia renováveis, precisamos entender como as coisas funcionam na sua escala mais fundamental, que é a escala atômica. O Sirius é um equipamento científico que permite exatamente esse tipo de investigação”, explicou a ministra Luciana Santos.

As investigações realizadas no Sirius podem beneficiar a sociedade em diversos campos do conhecimento, como na busca de novas soluções para o enfrentamento dos problemas da área da saúde, para o desenvolvimento de tecnologias para agricultura, meio ambiente, novas fontes de energia e materiais mais sustentáveis, entre outras possibilidades. (foto: Rodrigo Cabral/divulgação MCTI).

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