Eletrônica e Informática

Como o coronavírus impacta a indústria de semicondutores

 

 

A indústria de semicondutores parece ter escapado do impacto direto da crise do coronavírus até o momento, mas o mercado poderá sofrer com a redução ou a suspensão da produção de fabricantes de eletrônicos, de acordo com relatório da Omdia, divulgado no dia 18 de fevereiro.

 

Apesar de enfrentar desafios de logística, encapsulamento e testes relacionados ao coronavírus, fabricantes de semicondutores na China continuam operando normalmente, com elevada capacidade.

 

Todavia, os riscos são consideráveis, dado que o mercado de semicondutores representa um enorme componente da indústria global, gerando um faturamento estimado de US$ 424,8 bilhões somente em 2019, conforme relatado no “Omdia Semiconductor Competitive Landscaping Tool”. Uma potencial ruptura na produção chinesa de chips pode refletir fortemente no crescimento econômico global.

 

“O suprimento global de chips nos dois primeiros meses de 2020 parece estar praticamente inalterado com o surto de coronavírus”, afirma Len Jelinek, vice-presidente de Pesquisa de Componentes e Dispositivos da Omdia. “Há um pleno estoque de chips no canal, compensando qualquer redução da produção relacionada ao coronavírus nas fábricas localizadas na área de Wuhan e em todos os lugares da China. Também, poucos fornecedores de semicondutores estão localizados nas áreas afetadas pelo vírus, e todos os componentes vendidos por essas companhias chinesas podem ser facilmente fornecidos por outros fabricantes de chips.”

 

Segundo o relatório, o real perigo para a indústria de semicondutores encontra-se em outro lugar, à medida que o coronavírus interrompe a produção nas companhias que fabricam eletrônicos, que representam um dos maiores consumidores globais de semicondutores.

 

“Com as companhias de electronic manufacturing services (EMS) e de original design manufacturing (ODM) enfrentando desafios com relação ao número de trabalhadores retornando do período de recesso do Ano-Novo Lunar, o mercado global vai enfrentar sérios desafios no segundo trimestre”, diz Jelinek. “A China é o maior centro de serviços de manufatura, com organizações como a Foxconn, que têm enormes fábricas no país. Essas companhias representam grande parte do consumo de semicondutores, sendo responsáveis por 29% das compras globais nesse ano.”

 

As grandes operações de EMS/ODM na região incluem a produção de iPhone da Foxconn,  localizada a cerca de 480 quilômetros de Wuhan, em Zhengzhou. Esta fábrica está aberta e funcionando – mas com apenas 10 a 20% da capacidade devido aos problemas com a força de trabalho. Outras operações de EMS/ODM na área incluem as da Jabil e da Wistron, que também sofrem com problemas com a falta de trabalhadores, mas não têm impacto tão grande como da Foxconn na demanda de semicondutores.

 

A utilização da capacidade instalada de todos os fabricantes na China é atualmente mais baixa que a normal. Isso acontece devido à falta de mão de obra, pois muitos trabalhadores ainda não voltaram a trabalhar. Além disso, a demanda é sazonalmente fraca, reduzindo o stress sobre os fornecedores.

 

IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO – Embora o fornecimento de semicondutores pareça estar intacto, fornecedores na China encontram desafios relacionados ao surto de coronavírus. “Para as companhias estrangeiras de semicondutores, especialmente as empresas fabless, o maior desafio é a logística de importação e exportação”, afirma Hui He, principal analista de Semicondutor da Omdia. “Por conta dos controles nos voos para a China e da China, muitos funcionários do governo não retornaram ao trabalho. Resultado, o processo de importação/exportação está tomando muito mais tempo que antes, diminuindo o ritmo do comércio.”

 

Todavia, o impacto dessa logística morosa está sendo mitigada porque o primeiro trimestre é o período mais fraco para os negócios globais do setor eletrônico. Com as taxas de produção em níveis relativamente baixos, o impacto negativo do coronavírus ainda não foi totalmente sentido.

 

LIMPEZA – A fábricas de semicondutores (fabs) são inerentemente limpas e altamente automatizadas, gerando um ambiente que não é favorável para a disseminação da doença. Assim, as foundries que operam no país – incluindo SMIC, TSMC e UMC- podem manter as condições normais de produção, sem qualquer mudança. A utilização da capacidade instalada nessas fabs permanece alta.

 

Mesmo em Wuhan, o fornecedor de semicondutores YMTC mantém sua linha de produção rodando em níveis normais. A fab XMC, também em Wuhan, roda sem transtornos.

 

ENCAPSULAMENTO E TESTES – Para os fabricantes de chips, o impacto é mais sério no setor de encapsulamento e testes. Devido à falta de trabalhadores, as plantas de encapsulamento e testes na China reduziram ou mesmo suspenderam as operações. Isso é um gargalo para as fabricantes de chips que dependem dessa capacidade de back-end de encapsulamento e teste.

 

No momento, muitas empresas de design de chips de pequeno e médio portes enfrentam o risco de não obterem suficiente capacidade de produção tanto das fabs como dos que fazem o encapsulamento. Se essa desaceleração continuar por um período mais longo, essas empresas de design podem enfrentar a falência, ou a aquisição.

 

OUTROS DESENVOLVIMENTOS – A maior parte das fábricas chinesas que fazem parte da cadeia de suprimento de microelectromechanical systems (MEMS) e sensores declaram que a produção poderia ser retomada em 10 de fevereiro. Os fornecedores de sensores indicaram ter estoque suficiente para cobrir a suspensão da produção durante o recesso mais longo do Ano-Novo Lunar, que suspendeu a produção até 10 de fevereiro. (texto: Franco Tanio)

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