Eletrônica e Informática

É necessário investir no uso racional de energia elétrica

Em 2020, o Brasil teve 37 apagões. O maior deles, registrado no estado do Amapá, demorou 22 dias até o sistema ser restabelecido. Já o Piauí iniciou o novo ano no escuro – a interrupção do abastecimento energético começou dia 31 de dezembro e durou três dias. Ainda em 2020, discutiu-se a possibilidade de novos apagões em razão das baixas nos reservatórios.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que o volume de água nos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste ao final de janeiro foi o mais baixo para o mês desde 2015. Além da escassez de chuva, o problema dos apagões, que já assombra 2021, pode ser ocasionado por quedas de árvores, equipamentos mal conservados e falta de manutenção.

A pandemia de Covid-19 também impactou o consumo da indústria, comércio e serviços com a desaceleração das atividades econômicas em 2020. Neste ano, a retomada possibilitada pelo início gradual da vacinação somada aos baixos níveis dos reservatórios, aumenta ainda mais os riscos de colapso no sistema e elevação do custo da energia elétrica – menos chuvas significa usar energia proveniente de térmicas a óleo ou gás.

“Não podemos controlar a natureza, mas podemos controlar a forma como utilizamos os recursos naturais. Com o uso racional da energia elétrica e medidas consistentes para a redução nas mais diversas escalas de consumo, a sociedade toda ganha”, afirma Frederico Araújo, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco).

Estudo realizado pela entidade em 2015 constatou que, em seis anos, o Brasil desperdiçou 250 mil GWh, o equivalente a cerca de R$ 62 bilhões e a metade da produção de Itaipu. Desde então, pouco foi feito pelo poder público para qualificar o consumo de energia e encontrar alternativas que contribuam para um sistema mais sustentável.

“Medidas de combate ao desperdício são fundamentais, uma vez que ele eleva a demanda de geração de energia e contribuí para esse cenário em que o gasto energético exacerbado desafia a nossa capacidade de produção e consequentemente de competitividade no mercado interno e externo, gerando diversas dificuldades. Batemos na tecla da economia, mas não podemos esquecer do meio ambiente, afinal nossos recursos são finitos”, pontua Araújo.

Dados de 2018 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelam que o consumo da indústria representa 36% da energia gerada. Já o residencial chega a 29%. “Precisamos de um plano de eficiência energética que inclua toda a sociedade, uma vez que o impacto na forma de consumo é social. Quando contemos o desperdício, e temos manutenções periódicas de equipamentos, diminuímos os riscos”, afirma o presidente da Abesco.

 

INSPEÇÕES PREDIAIS – Na Europa já é comum que os países tenham regras que determinem que todos os prédios sejam inspecionados periodicamente por um técnico qualificado. Em Portugal, por exemplo, uma nova lei, que entra em vigor em julho, prevê essa inspeção, cujo objetivo é avaliar o consumo e apontar possíveis desperdícios de energia.

Segundo o projeto, ao final de cada vistoria será emitido um relatório com o resultado e as recomendações para melhorar o desempenho energético dos sistemas técnicos. O mesmo ocorrerá com os prédios públicos. Já para novos empreendimentos, será obrigatório o consumo energético baixo, com níveis de excelência. Aqueles que descumprirem a norma estarão sujeitos a multas.

“Ainda que seja uma realidade distinta, muito do que já é praticado lá fora pode ser adaptado e implementado no país, especialmente o que diz respeito a políticas públicas que atinjam as diferentes camadas de consumo. Nós, do setor elétrico, estamos com o sinal de alerta acionado, e por diversas razões. É preciso investir em eficiência e agir rápido para evitar problemas drásticos”, conclui Araújo.

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