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Ferrovia interna do Porto de Santos deve receber melhorias e ampliações

A Santos Port Authority (SPA) – a administradora do Porto de Santos, localizado no litoral paulista e que é o maior e mais movimentado do país – abriu uma consulta pública com o objetivo der receber contribuições, subsídios e sugestões relativas à gestão, operação, manutenção e expansão da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips).

A ideia da SPA é viabilizar a realização dos investimentos necessários à expansão da capacidade ferroviária interno do porto. A via férrea está hoje claramente sobrecarregada e o cenário tende a evoluir para o de total saturação, em vista do aumento de demanda previsto para curto prazo.

A Fips movimenta hoje cerca de 45 milhões de t de mercadorias, e a previsão é de que este volume logo aumente para 50 milhões de toneladas. O Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do porto prevê aumento de 91% na movimentação ferroviária até 2040, para 86 milhões de t por ano.

Para dar conta desse volume, a estimativa é de que sejam necessários aproximadamente R$ 2 bilhões em obras de expansão, incluindo novos ramais, uma “pera” ferroviária na margem direita (situada no perímetro da cidade de Santos) e um novo retropátio ferroviário na margem esquerda (na área de município do Guarujá), além da eliminação dos cruzamentos em nível e construção de passarelas de pedestres ao longo do porto.

O modelo institucional para os projetos e obras já foi definido pela SPA. Ele consolida a dinâmica empregada no contrato vigente celebrado com a empresa Portofer, a empresa que administra a ferrovia dentro do porto, com a gestão integrada da Fips por todos os interessados, a autorregulação operacional entre as concessionárias ferroviárias e rateio de custos e despesas proporcionais à movimentação de carga.

A SPA propõe, também, aperfeiçoar o processo de contratação das operadoras ferroviárias, por meio da realização de chamamento público, que legitima a dispensa de processo seletivo competitivo quando a oportunidade de negócio puder ser ofertada a todos os interessados.

 

BOM MOMENTO – Apesar da má situação econômica do país, o Porto de Santos vive um momento de dinamismo. Alcançou no mês de novembro passado os seus melhores resultados históricos na movimentação de cargas, com o acumulado do ano registrando 134,6 milhões de t, alta de 0,45% sobre o realizado em todo o exercício de 2019 – que já fora recorde – e 8,7% superior na comparação com os 11 primeiros meses do ano anterior.

O bom resultado foi puxado, sobretudo, pelos embarques, que cresceram 12,9% no período, para 98,7 milhões de t, beneficiando especialmente a movimentação de contêineres, cujas cargas transportadas possuem maior valor agregado e que em novembro apresentou expressiva recuperação diante da redução provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Considerando somente o mês de novembro, o contêiner teve a maior movimentação mensal de toda a série histórica, ao registrar 395,5 mil TEUs (unidade padrão de um contêiner de 20 pés), alta de 2% ante o recorde anterior, obtido em agosto de 2018. No acumulado do ano, os contêineres tiveram leve recuo de 0,3%, para 3,8 milhões TEUs.

Houve também um aumento na quantidade de produtos que passaram a ser transportados em maior quantidade por contêineres. Os embarques de carnes, realizados por contêineres frigoríficos, registraram expressiva alta. De janeiro a novembro, a quantidade exportada passou de 657 mil t para 1,4 milhão de t, crescimento de 127,8%.

Cargas como farelo de soja, açúcar e milho, que eram embarcadas a granel, também estão sendo transportadas cada vez mais em contêineres. No período, foi registrado um aumento de 57,6% no embarque de farelo desoja e de 64,7% de soja em grãos utilizando esse tipo de transporte.

Na movimentação geral de cargas, foram 12,0 milhões de t, alta de 9,5% sobre a base anual. Tanto os embarques como os desembarques cresceram 9,3% e 9,8%, respectivamente, para 8,4 milhões e 3,7 milhões de toneladas.

Além do recorde no total de cargas, os 11 primeiros meses de 2020 também bateram marcas históricas de determinadas cargas para o período. Os granéis sólidos tiveram alta de 14,9% na base anual, para 70,5 milhões de t; já os granéis líquidos cresceram (10,7%), para 17,2 milhões de toneladas.

Na corrente de comércio exterior, houve estabilidade na participação do Porto de Santos, que respondeu por 28,4% do total do Brasil. O número de atracações no ano chegou a quase 4.500 navios, um ligeiro aumento de 1,4% em relação ao mesmo período de 2019. (Alberto Mawakdiye)

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