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Governo federal investirá R$ 10,5 bi na compra de ônibus elétricos e trens

O governo federal anunciou que irá investir R$ 10,5 bilhões para a renovação da frota de 98 municípios brasileiros, com a compra de ônibus elétricos e trens. O valor está incluído no pacote de R$ 18,3 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que inclui também alguns serviços de infraestrutura nas áreas urbana e rural.

 

Serão 4.024 ônibus elétricos, 4.415 ônibus Euro 6 e78 trens.Os veículos serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos do Fundo Clima, e pela Caixa Econômica Federal, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os bancos irão investir R$ 4,5 bilhões e R$ 6 bilhões, respectivamente.

 

Os municípios que receberem os veículos poderão cedê-los às empresas que operam as linhas de ônibus por meio de comodatos, aluguéis ou outros modelos, desde que a posse não seja transferida. A escolha dos municípios teve como critérios estudos de demanda, idade média das frotas e capacidade de gestão de veículos mais modernos (no caso dos ônibus) e existência de linhas férreas (no caso dos trens).

 

O objetivo do governo com a inclusão de meios de transporte mais sustentáveis é também o de reduzir as emissões de CO2 nas cidades, com a redução do consumo de combustível. A adoção de ônibus elétricos tem se mostrado a melhor opção principalmente nas metrópoles e cidades médias para reduzir as emissões de poluentes.

São Paulo (SP), Curitiba (PR), Goiânia ) GO) e Salvador (BA), por exemplo, vão trocar no médio prazo os seus modelos com motor a diesel por elétricos. Conforme a prefeitura de São Paulo, a cidade terá 2,6 mil novos ônibus elétricos até o final deste ano. Hoje a cidade já conta com cerca de 800 ônibus elétricos na frota. Da mesma forma, Curitiba já disse que só vai comprar daqui para frente modelos 100% elétricos.

 

Diga-se que o subsídio do governo federal ao setor tem sua razão de ser. Se os ônibus elétricos poluem menos – afinal, não emitem nenhum tipo de fumaça- também custam até três vezes mais que os modelos a combustão com motores a diesel. Um ônibus elétrico custa, na média, entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões a unidade.

 

CORRIDA – Com esta crescente demanda, as montadoras de ônibus elétricos, obviamente, estão produzindo a todo vapor para conseguir atender os clientes sem problemas de cronograma. Trata-se de um mercado em plena expansão, e já reforçado por novas marcas que chegaram ao país, como as chinesas BYD e Higer.

 

E há vários fabricantes nacionais ou instalados há décadas no país produzindo seus próprios modelos, como a Mercedes-Benz, a Volvo e a Marcopolo. Ainda estão presentes no mercado montadoras como a Eletra, que produz modelos em parceria com marcas tradicionais, como a própria Mercedes-Benz e a Scania.

 

Séria candidata a liderar este mercado, a fabricante chinesa BYD está no Brasil desde 2015 e, desde então, opera por aqui com ônibus elétricos. A marca também comercializa caminhões e carros eletrificados. A BYD oferece uma ampla gama de ônibus elétricos, com modelos que podem chegar a até 22,3 m de comprimento.

 

Já a Eletra, fabricante brasileira de veículos elétricos, estreou nos anos 2000. A montadora localizada no ABC paulista foi a primeira a produzir um ônibus com motor híbrido no país. Ainda em 2013, a fabricante mostrava o seu primeiro e-Bus, um articulado de 18 metros.

 

A Eletra conta com tecnologia de eletrificação de baterias alimentadas por painéis solares e produz vários modelos feitos sobre chassis Mercedes-Benz e Scania e com motores da WEG. E devido à crescente busca por alternativas mais limpas no transporte, a Eletra também está apta a realizar serviços de retrofit em veículos comerciais. Ou seja, pode converter modelos a combustão em 100% elétricos.

 

Fundada em 1998 na China, a Higer Busali mantém uma fábrica de ônibus de 950 mil metros quadrados. Isso garante à companhia exportar veículos para mais de 100 países, bem como abastecer o mercado chinês, que é um dos maiores do mundo atualmente.

 

No Brasil, a marca se estabeleceu em 2021 em parceria com a Tevx Motors Group. Por ora, oferece três modelos de ônibus por importação. Mas, a partir de 2024, projeta nacionalizar a produção. Para isso, contará com duas fábricas, uma em Pecém, no Ceará, e outra na região Centro-Oeste, em local ainda indefinido.

 

Outra empresa brasileira, a Marcopolo, especializada no mercado de carrocerias, desenvolveu o Attivi, primeiro ônibus elétrico integralmente produzido para atender as particularidades urbanas brasileiras. A produção inclui até mesmo a produção do chassi.

 

O modelo eO500U é o representante da Mercedes-Benz nos ônibus elétricos. O veículo se baseia no chassi do O500U diesel, um sucesso da Mercedes-Benz, que tem mais de 15 mil unidades vendidas. A montadora de origem alemã está faz décadas presente no mercado de ônibus urbanos e rodoviários do país.

 

A sueca Volvo, por sua vez, apresentou recentemente o BZL, que está sendo avaliado no transporte público de algumas capitais brasileiras. O veículo ainda é importado da Suécia, mas a Volvo já prepara a sua produção local para ainda este ano. (texto: Alberto Mawakdiye/foto: Eletra/divulgação)

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