Metal Mecânica

Governo Trump exclui provisoriamente o Brasil das sobretaxas na importação de aço e alumínio

Para o enorme alívio da indústria de base brasileira, os Estados Unidos anunciaram, no último dia 22 de março, a exclusão do Brasil das taxações sobre o aço e o alumínio, assim como da União Europeia, Argentina, Coreia do Sul e Austrália.

Poucos dias antes, o governo Trump já tinha isentado o México e o Canadá. A cobrança das sobretaxas, que elevam em mais 25% as alíquotas do aço e em mais 10% as do alumínio, foi anunciada no começo de março e começou a vigorar dia 23.

Na prática, as isenções beneficiam os parceiros americanos do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (México e Canadá) e velhos amigos comerciais e geopolíticos. Como era de se esperar, a Rússia e a China não foram incluídas na lista.

A Casa Branca anunciou, inclusive, novas medidas protecionistas contra a China, além da sobretaxação do aço e do alumínio. A justificativa é de que a China seria responsável por manipulações intencionais do mercado, desvio de tecnologias e de propriedades intelectuais dos EUA.

A China, naturalmente, rebateu essas acusações, expressando sua “esperança de que os EUA compreendam a natureza mutuamente vantajosa das relações econômicas e comerciais entre os dois países, e de que não adotem nenhuma medida que prejudique ambas as partes”.

Mas o fato é que as medidas adotadas por Trump devem, sim, prejudicar os negócios entre os dois países. O que está despontando no horizonte é a possível deflagração de uma guerra comercial entre ambos, motivada pelo espantoso déficit dos EUA diante da China, que atingiu o recorde de US$ 375 bilhões em 2017.

ALEGRIA BRASILEIRA – O Brasil quer, nitidamente, ficar fora dessa briga, até porque teria muitíssimo a perder se continuasse no índex comercial dos EUA. Nada menos do que 32% do aço exportado pela indústria brasileira tem como destino os Estados Unidos, por exemplo. Com o mercado interno estagnado, seria uma verdadeira catástrofe.

De qualquer forma, o Brasil também é importante para os EUA. O país figura como o segundo maior exportador de aço para o mercado norte-americano, com 4,7 milhões de t embarcadas em 2017, abaixo só do Canadá, que exportou 5,8 milhões.

Essa decisão americana é, na verdade, provisória, pois valerá apenas enquanto as negociações bilaterais entre os EUA e os seus parceiros comerciais estiverem sendo desenvolvidas. Elas já estão em andamento, e a previsão é de que se encerrem em algum ponto do mês de abril. Depois disso, as sobretaxações poderão eventualmente voltar, inclusive contra o Brasil.

A ironia de toda essa história é que a isenção de tantos países da cobrança das sobretaxas deixaram quase tudo como era antes. Os Estados Unidos renunciarão a cobrar megatarifas, simplesmente, dos países que são os seus tradicionalmente maiores fornecedores de aço. Somente Canadá, Brasil, Coreia do Sul, México e Alemanha somaram 52% das importações de aço pelos EUA em 2017, de acordo com dados do Departamento de Comércio americano. A briga é mesmo com a China. (Alberto Mawakdiye)

 

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