Eletrônica e Informática

Indústria brasileira vai produzir refrigeradores mais eficientes

A indústria brasileira de refrigeradores passará a comercializar produtos mais eficientes a partir da Portaria nº 332/2021 do Inmetro. A portaria estabelece as novas regras para a classificação de produto e prevê a adoção de novos níveis de eficiência energética a partir de um processo de atualização do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE).

Com a nova regulação, que será aplicada em 3 fases, a economia projetada na conta de luz dos brasileiros até 2035 é de R$32,5 bilhões ao consumidor. Na primeira fase, que se inicia em julho de 2022 as geladeiras mais eficientes, serão classificadas em A+++, mostrando uma eficiência de até 30% em relação ao atual A; A++, indicando 20% a menos no consumo; e A+, com economia de 10%.

Sendo assim, ao optar por uma geladeira A+++ de duas portas de degelo automático (frost-free) de volume ajustado de 500 litros (ou volume interno útil em torno de 350 litros), que corresponde a 80% do mercado nacional, o consumidor pode economizar cerca de 13 kWh por mês, o que representa, para ele, uma economia de R$ 10,14, considerando uma tarifa média, acrescida de impostos, de R$ 0,78 por kWh.

“O consumidor, com o novo padrão de etiquetagem, passa ter uma referência importante para escolher consumir produtos que consomem menos energia, o que gera uma economia importante nas residências”, afirma Jorge Nascimento, presidente executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

A partir da segunda fase, que passa a vigorar em 31 de dezembro de 2025, serão eliminadas as subclasses e o novo A será ainda mais rigoroso. Os níveis das classes passam a ser definidos com base nas recomendações das Nações Unidas para regulamentação em eficiência energética para refrigeradores, expressas no Guia da U4E (United for Energy), com a aplicação de fatores de correção à realidade nacional.

“Neste cenário nossos produtos terão que apresentar uma redução de 40% do consumo de energia para permanecer no A nesta fase”, ressalta.

A terceira e última fase, com prazo de adequação para 31/12/2030, estabelece a adoção de um nível de consumo para a classe A equivalente às recomendações da U4E, na íntegra, ampliando ainda mais o rigor da etiqueta. Isso significa uma necessidade de redução, em média, de 61% do consumo de energia das geladeiras fabricadas no país, de duas portas, atualmente em A.

“Trata-se de uma grande vantagem para o consumidor, sobretudo para as famílias de menor renda, gerando impactos positivos também para o meio ambiente. Os novos índices de eficiência são um avanço regulatório local, mérito do alinhamento entre indústria e governo federal”, destaca.

 

CLASSE TROPICAL – A atualização do PBE para refrigeradores manteve a exigência para que todos os produtos comercializados em território nacional sejam da Classe Tropical, a mais rigorosa de todas as classificações existentes no mundo. Para avaliar a conformidade do refrigerador quanto ao critério de Classe Tropical, hoje o produto é instalado em uma câmara a 43 °C, devendo alcançar, só no compartimento congelador, a temperatura de 18 °C negativos.

Os produtos brasileiros que são comercializados atualmente já são mais eficientes do que a média dos produtos comercializados em muitos países. Grande parte dos produtos comercializados na Europa, nos Estados Unidos, e em países como Índia, Quênia, México, Argentina e em diversos outros não poderiam ser vendidos no Brasil, simplesmente porque não têm o desempenho necessário para o seu enquadramento na Classe Tropical e, por isso, não possuem a capacidade de manter as temperaturas dos compartimentos na forma como é exigido pela regulamentação brasileira. “Essa é uma prova contundente de que a indústria brasileira terá um dos mais eficientes produtos do mundo”, destaca Nascimento.

“O bom desempenho do refrigerador não depende apenas do quanto ele consome de energia, mas também da sua capacidade de alcançar metas de temperaturas específicas para cada compartimento. De acordo com a temperatura ambiente, o produto precisa se esforçar mais ou menos para alcançar tais metas”, explica o diretor técnico setorial de linha branca da Eletros, Renato Alves.

 

INVESTIMENTOS – A entrega de produtos mais eficientes e o cumprimento das 3 Fases previstas na atualização do PBE passa pela reformulação tecnológica dos componentes, adaptações dos produtos e, em alguns casos, pela reconfiguração das plantas produtivas das indústrias. Essas mudanças demandarão nos próximos anos investimentos conjuntos estimados em R$300 milhões com a previsibilidade necessária ao setor produtivo e com benefícios imediatos ao consumidor, informa a Eletros.

De acordo com a Eletros, o segmento de linha branca que incorpora os refrigeradores faturou R$27,6 bilhões em 2019 e a cadeia gerou 37 mil postos de trabalho. Foram comercializadas 5,5 milhões de geladeiras em 2020 produzidas no país. A indústria nacional tem capacidade para abastecer 97,2% do mercado nacional representado por cerca de 80 milhões de residências.

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