Eletrônica e Informática

“Não dá para colocar toda produção de um item dedicado como PCBs na China”

 

 

 

Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira de Circuitos Impressos, Montagem de Placas, Teclados de Membrana e Componentes Eletrônicos (Abraci), fala, nessa entrevista ao Portal Ipesi, sobre o esforço da indústria brasileira de printed circuit boards (PCBs), para atender em curto prazo a demanda do segmento médico/hospitalar, sobre a situação do mercado hoje e sobre as perspectivas que se abrem com a crescente valorização do dólar em relação ao real e dos problemas logísticos gerados pela pandemia do coronavírus.

 

PORTAL IPESI – Como está o mercado brasileiro de placas de circuito impresso?

SYNÉSIO BATISTA DA COSTA – Como trata-se de um produto sob encomenda ainda há uma carteira de pedidos razoável nas fabricas, porém ainda estamos avaliando o cenário para os próximos meses.

 

PORTAL IPESI – Qual é a participação no mercado interno produção doméstica de placas de circuito impresso?

COSTA – A participação do produto nacional vinha caindo ano a ano em função dos preços praticados pelos chineses. Atualmente devemos atender próximo a 10% da demanda local.

 

PORTAL IPESI – Segundo alguns, a alta do dólar em relação ao real, aliada às dificuldades logísticas devido à pandemia do coronavírus, poderia alavancar a produção brasileira. Como o senhor analisa esta questão?

COSTA – Isso é verdade. A cotação do dólar influencia bastante na decisão do cliente, principalmente em momentos de instabilidade como o atual. De qualquer forma a desvalorização da moeda chinesa frente ao dólar ainda é muito maior que a nossa.

 

PORTAL IPESI – Por outro lado, quase metade (47%) da indústria eletroeletrônica brasileira, segundo pesquisa da Abinee, opera com paralisação parcial ou total na fabricação local. Como a produção brasileira de placas de circuito impresso é afetada?

COSTA – No momento está havendo uma demanda elevada por placas no segmento médico/hospitalar e boa parte dos associados está empenhada em atender essa demanda com prazos muito reduzidos. Demais segmentos vão se ajustar a sua realidade.

 

PORTAL IPESI – Em prazo mais longo, o senhor acredita que a indústria eletroeletrônica brasileira vai procurar diversificar a cadeia de fornecimento e procurar adquirir mais placas de circuito impresso de produção nacional? Ou passada a pandemia tudo voltará a ser como era antes?

 

COSTA – Tudo depende basicamente do câmbio em primeiro lugar, reformas tributárias, principalmente, previdenciária, e também da lição que todos estão aprendendo… Não dá para colocar toda produção de um item dedicado como PCBs na China. Tem que ter um fornecedor nacional.

 

PORTAL IPESI – Como a Abraci está ajudando as empresas do setor a superar esse período difícil de pandemia?

COSTA – Mais que nunca é clara a importância de haver fabricantes de PCBs no Brasil. Como falei há pouco, estamos suprindo fabricantes de equipamentos médicos, como respiradores, por exemplo. Também atendemos clientes que foram pegos de surpresa em função da parada das fábricas chinesas e problemas de logística. Por isso insistimos no fortalecimento da cadeia produtiva. Preço é importante, mas não é tudo. Quanto custa uma fabrica parada por falta de PCBs?

 

PORTAL IPESI – Quais são as ações que a Abraci deve tomar para ajudar uma possível retomada da produção local de placas de circuitos impressos?

COSTA – Os associados estão sempre se atualizando tecnologicamente. Hoje produzimos placas com alto grau de complexidade, inclusive alguns estão aumentaram sua capacidade de produção, visando atender segmentos de maior volume antes mesmo dessa pandemia. Acreditamos que nossos associados poderão atender essa demanda. (texto: Franco Tanio/foto cedida)

 

 

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