Metal Mecânica

New Holland lança primeiro trator agrícola acessível do mundo produzido por uma montadora

A New Holland Agriculture, marca da CNH Industrial, lança comercialmente o primeiro trator agrícola acessível do mundo produzido por uma montadora. O trator modelo TL5 Acessível, produzido na fábrica de Curitiba (PR), é uma máquina destinada a pessoas com deficiência motora nos membros inferiores, possibilitando que elas exerçam de maneira independente suas atividades no campo.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, divulgada pelo Ministério da Saúde em conjunto com o IBGE, o Brasil possui 17,3 milhões de pessoas com dois anos ou mais de idade com algum tipo de deficiência (8,4% dessa população), sendo que 7,8 milhões possuem deficiência física nos membros inferiores. Do total de pessoas com alguma deficiência no Brasil, 2,9 milhões residem em domicílios rurais.

“As pessoas com deficiência, inclusive as que vivem e trabalham no campo, querem ter autonomia para poder realizar suas atividades por conta própria. Essa, aliás, é a principal premissa da inclusão, já que essas pessoas possuem inúmeras habilidades e capacidades. Como uma marca full-liner, ou seja, cujo portifólio atende às necessidades do pequeno, médio e grande produtor, a New Holland amplia ainda mais a sua gama de produtos com o lançamento do trator acessível. Ele permitirá eliminar barreiras que hoje impossibilitam muitos agricultores de acessarem o posto de operação de uma máquina”, afirma Eduardo Kerbauy, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina.

Apresentado pela primeira vez como um trator conceito no Show Rural Coopavel e na Expodireto Cotrijal, em 2020, onde fez bastante sucesso junto ao público e à imprensa, o projeto começou a ser desenvolvido a partir de 2019 pela New Holland, que chegou ao produto final em parceria com a empresa de mobilidade inclusiva Elevittá, a Arteprima e o Senai – São Leopoldo (RS).

“Como uma marca que se preocupa em melhorar a experiência do cliente, este trator acessível surgiu a partir de uma necessidade real de muitos agricultores, que foram fundamentais para que chegássemos ao produto final, focando sempre na segurança do operador”, observa Flávio Mazetto, diretor de Marketing de Produto da New Holland Agriculture para a América Latina. O desenvolvimento do TL5 Acessível contou, inclusive, com a participação de um cliente da New Holland, que é cadeirante.

ROTA 2030 – Desde o sucesso da unidade conceitual, a New Holland buscou estratégias que permitissem viabilizar o projeto também do ponto de vista financeiro. Dentre as alternativas, identificou-se uma oportunidade por meio de uma linha de financiamento do governo brasileiro, a chamada Rota 2030, em que a maior parte do investimento é absorvida pelo governo como forma de apoiar e incentivar projetos de inovação como este social com proposta de inclusão para o campo.

Desenvolvido a partir da linha de tratores TL5, o TL5 Acessível está disponível em versões de 80, 90 e 100 cv, bastante versátil e robusto, voltado a pequenos, médios e grandes produtores. Ele pode ser usado nas principais tarefas dentro da propriedade rural, como preparação de solo, plantio, distribuição de calcário, colheita em pequenas fazendas, silagem, roçagem, pulverização, distribuição de fertilizantes, carregador frontal e serviços gerais.

O TL5 Acessível é equipado com uma plataforma de elevação e um joystick. Com o equipamento, o operador do trator comanda os movimentos necessários para fazer seu próprio embarque o desembarque do veículo, com acesso ao assento do operador e comandos da máquina.

“O Senai-RS atuou no desenvolvimento tecnológico em um projeto de aliança entre empresas que constituem a cadeia de fornecimento dos componentes para o trator”, explica o gerente do Instituto, Vitor Nardelli. O papel do Senai se deu no desenvolvimento do elevador que leva a pessoa à cabine e também no sistema de controles do joystick para a operação do trator usando apenas as mãos.

Eduardo Kerbauy, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, explica que o Instituto Senai cuidou de toda a parte de eletrônica embarcada e de engenharia de software, trabalhando no desenvolvimento da tecnologia. “Eles pegaram a nossa prova de conceito e redesenvolveram o conceito do elevador, redesenhando a tecnologia para acessibilidade, como a parte do joystick do trator, por exemplo. Basicamente, eles desenvolveram a tecnologia e nós, como indústria, o produto”, disse. (foto/divulgação)

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