Eletrônica e Informática

Pandemia do coronavírus afeta fortemente investimentos em TI na América Latina

 

 

O impacto da pandemia do Covid-19 afetará os investimentos em todos os setores produtivos. A consultoria IDC estima que indústria de TI pode ter reduções superiores a US$ 15 bilhões em 2020, na América Latina.

 

Durante o “Webinar: Implicaciones de la crisis del Covid-19 en la industria de TI en América Latina, realizado pela consultoria no dia 7 de abril, Alejandro Floreán, vice-presidente de consultoria e estratégia, explicou que a IDC está em um processo constante de revisão das projeções de cada país, pois cada um terá um impacto diferente, de acordo com as ações que cada governo vem tomando para reduzir a disseminação da pandemia em sua população e para a recuperação de suas economias. Ele frisou que as autoridades sanitárias não têm certeza de quando a curva de contágios começará a diminuir, para começar o período de recuperação das economias.

 

“Alguns especialistas consideram que ainda faltam entre seis e oito semanas para que o número de contágios se estanque e logo comece a reduzir, de forma que a possível recuperação fica entre finais de maio e início de junho”, comentou Floreán.

 

De acordo com Floreán, isso provocará uma redução do produto interno bruto na região de 4%, e as economias mais afetadas serão: Argentina com queda estimada no PIB de 6,5%; México, -6%; e Brasil – 5,5%. Isso acontece pelo impacto que enfrentam os setores produtivos, como o manufatureiro que se viu afetado pela falta de importações desde a Ásia e a interrupção de sua cadeia de suprimentos; ao transporte, como é o caso das linhas aéreas; e turismo – hotéis e restaurantes -, entre outros.

 

Diante desse cenário, a IDC estima que o menor gasto em TI na região supere os 10 pontos percentuais, passando de uma projeção de mais de 7%  de incremento, antes da Covid-19 em 2020 em comparação aos investimentos realizados no ano passado, para um cenário de redução de 4% ou mais.

 

“Na projeção mais provável, na IDC estimamos que o mercado de TI – sem contar com a parte de comunicações –  terá uma perda de cerca de US$ 15 bilhões em 2020, comparando com o tamanho do mercado em 2019”, enfatizou o vice-presidente.

 

A pandemia afeta todos os mercados de tecnologia da região, mas se espera uma pronta recuperação no próximo ano, que dependerá dos incentivos e ações que tomem cada um dos governos, estabelecendo diferenças importantes por país.

 

Até agora, a IDC estima números positivos de crescimento em todas a economias para 2021, comparado com esse ano, ainda que abaixo das estimativas que se tinha antes da chegada da pandemia, especialmente no México.

 

NOVAS OPORTUNIDADES – Sem dúvida, frisou Floreán, nem tudo é negativo se forrem observam as ações que a China está tomando para recuperar a economia e desenvolver novas áreas de oportunidades, que poderiam ser consideradas na região latino-americana.

 

De acordo com ele, o governo chinês decidiu incrementar seu nível técnico, porque ele não é homogêneo em todas as suas entidades e, por isso, vai melhorar a conectividade e automação.

 

O país do oriente também analisará e realizará um processo de descentralização de seus clusters, para reduzir os riscos da alta concentração de suas indústrias. Além disso, incrementará seus investimentos em TI para o setor de saúde, especialmente em big data, analytics e telemedicina para reforçar seus sistema. Também diversificará sua cadeia de suprimentos para reduzir os problemas por desabastecimento ou falta de insumos em sua economia.

 

Outro ponto que pode ajudar os provedores de TI é entender quais serão os períodos de recuparação de indústria, em uma nova normalidade econômica, pós Covid-19.

 

Por exemplo, detalhou que para o setor financeiro, a IDC considera que a recuperação se dará em aproximadamente 8,5 semanas para retomar os mesmos níveis de investimentos que teve em 2019,  enquanto o setor público demorará 19 semanas, depois de a pandemia ser controlada para voltar a investir. Ou seja, poderá ser só no final do primeiro trimestre de 2021.

 

OPORTUNIDADES NA CRISE – Em curto e médio prazos, o vice-presidente do IDC mencionou que, depois de mandar os funcionários a trabalharem a em casa, se espera que a demanda de softwares e ferramentas de comunicações unificadas e softwares de colaboração cresça de maneira constante, seguido por soluções de virtualização, serviços na nuvem, conectividade, big data, analytics e segurança.

 

Ele destacou também que as telecomunicações terão um crescimento saudável em 2020, pelo papel que têm na conectividade que demandam as empresas e pessoas para fazer negócios e manter a economia de pé. Suas oportunidades de negócios se manterão no novo cenário pós Covid-19.

 

É importante lembrar que, depois da crise, as empresas terão uma maneira diferente de planejar seus investimentos em TI, não só para a recuperação de suas operações, como também para o desenvolvimento de novos negócios, em que os temas como e-commerce, plataformas online e cloud serão importantes para poder relançar-se nesta nova economia.

 

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