Eletrônica e Informática

Pessoas com deficiência têm dificuldades para usar ferramentas de videoconferência em plataforma web

Com a pandemia Covid-19 e a necessidade de distanciamento social, grande parte das atividades presenciais migrou para o ambiente digital. Um dos recursos que passaram a ser usados com maior frequência nesse período foram as videoconferências, muito comuns no contexto profissional, em aulas e eventos. Mas será que as plataformas de reuniões virtuais são amigáveis para quem tem algum tipo de deficiência? Pesquisa do Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) indica que há problemas.

Entre os problemas apontados pela pesquisa estão:

  • Usuários conseguem acessar uma reunião, mas têm dificuldades em compreender e interagir, quando os organizadores da reunião não oferecem acessibilidade (por exemplo, quando não descrevem uma imagem ou quando um vídeo não tem legendas).

 

  • Ferramentas com as quais os usuários têm pouca familiaridade e uso podem ser difíceis de operar devido ao desconhecimento de teclas de atalho, essenciais para a navegação por teclado e por usuários de leitores de tela. Nem todas exibem ao usuário (por áudio ou texto) os atalhos de teclado.

 

  • A interface das plataformas apresenta padrões distintos que, muitas vezes, confundem os usuários. Botões mal posicionados podem dificultar a navegação.

 

  • Apesar de serem essenciais para a compreensão do conteúdo em áudio por pessoas com deficiência auditiva, as legendas ainda funcionam de forma precária. As poucas ferramentas que disponibilizam esse recurso o fazem somente em inglês ou de forma que os usuários não conseguem ou têm dificuldade de configurá-lo.

 

  • Algumas aplicações têm inconsistências em traduções para o português, exibindo rótulos de botões confusos.

 

  • A maioria dos voluntários utilizou a plataforma Web das ferramentas, mesmo que algumas delas fereçam aplicativos para computadores.

 

  • Foram detectados problemas na interface das aplicações que dificultaram a participação de alguns grupos. Essas barreiras podem ser separadas em duas categorias:

 

  • Acessibilidade da plataforma: incapacidade de acionar links, botões ou mesmo interagir por chat foram algumas das dificuldades reportadas. Pessoas que navegaram somente por teclado encontraram poucas barreiras para interagirem nas ferramentas e aquelas que precisaram navegar com leitor de tela, por sua vez, encontraram barreiras de interação acima da média.

 

  • Acessibilidade da reunião: sem a intervenção do apresentador para garantir a acessibilidade ao conteúdo, pessoas com deficiência visual e auditiva podem ter problemas na participação e compreensão do que é discutido na reunião. Os resultados mostraram que a compreensão do que acontece em uma reunião é o resultado mais difícil de se alcançar durante a participação de pessoas com deficiência em reuniões on-line. As pessoas com limitações visuais são as que mais encontraram barreiras de compreensão, e aquelas que navegaram sem áudio já encontraram menos dificuldades.

 

“Um detalhe curioso é que tivemos um número razoavelmente grande de pessoas que não conseguiram participar de chats. O que percebemos é que a grande maioria é capaz de usar as ferramentas, executando as principais funções, mas, dependendo da deficiência, encontram algumas limitações para compreender o conteúdo da reunião, quando ele não é apresentado de forma acessível”, diz Reinaldo Ferraz, responsável pela pesquisa e especialista em projetos web do Ceweb.br|NIC.br.

O estudo sobre “Acessibilidade das Ferramentas de Videoconferência em Plataforma Web”, está disponível no endereço: https://www.ceweb.br/publicacao/estudo-acessibilidade-ferramentas-videoconferencia/

Para Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br|NIC.br, a pesquisa deixa claro que, embora algumas plataformas atendam parcialmente as necessidades de pessoas com deficiência, as barreiras encontradas comprometem atividades que se tornaram ainda mais importantes nos últimos meses. “Os dados mostram que parte desse público não consegue desempenhar plenamente atividades de teletrabalho e de entretenimento por meio da Web, algo que se agrava durante a pandemia. As empresas e comunidades desenvolvedoras de ferramentas para reunião on-line precisam considerar fortemente os resultados e sugestões dessa pesquisa e oferecer ferramentas que garantam, de fato, uma Web de todos e para todos. Ainda há muito por fazer”.

A pesquisa contou com 64 respostas de 32 voluntários, que foram divididos em três perfis: usuários sem deficiência que navegaram apenas por teclado (sem o uso de mouse ou trackpad), simulando deficiência motora; usuários com deficiência visual que deveriam navegar com software leitor de tela habilitado e por teclado, mas sem utilização de referências visuais, e usuários surdos ou com baixa audição que operariam a plataforma com o áudio do computador desativado.

Foram realizadas reuniões com os três grupos, em todas as ferramentas analisadas (Google Meet, Zoom, Microsoft Teams, Jitsi, WebEx e BigBlueButton). Cada voluntário recebeu uma lista de tarefas básicas que deveria fazer em uma das plataformas sorteadas. Entre as ações estavam: entrar e sair de uma reunião; habilitar e desabilitar câmera e microfone; enviar mensagem por chat e compartilhar tela. Na sequência, todos responderam a um questionário relatando a experiência.

Acessibilidade em Videoconferências | Notícias

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