Metal Mecânica

Setor de máquinas e equipamentos patina e Abimaq projeta queda de 8,4% no faturamento em 2026

A indústria de máquinas e equipamentos deverá fechar 2026 com resultados piores que previstos anteriormente. A revisão das previsões já havia sido anunciada pela Abimaq. A projeção de queda nas vendas totais passou de 3,2% para 8,4%, refletindo o recuo revisado nas compras do mercado interno de 3,6% para 7,7%. As expectativas para as vendas externas também pioraram: de crescimento de 6,4%, no faturamento em dólares, para queda de 1,1%.

A revisão das projeções para baixo reflete o mau desempenho setorial no período de janeiro a julho e a falta evidências que sinalizem para uma virada no humor do mercado até o final do ano. No acumulado dos primeiros sete meses de 2016, o faturamento líquido total do setor foi de R$ 154.548,41 milhões, com recuo de 12,9% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida total do mês de julho de 2026, de R$ 24.443,10 milhões, é 0,8% maior que do mês imediatamente anterior e 8,9% menor que do mesmo mês de 2025.

No mercado interno, o desempenho da indústria de máquinas e equipamentos mostra-se ainda mais arrefecido. A receita líquida interna de R$ 115.169,27 milhões no período de janeiro a julho é 15,3% menor que a dos primeiros sete meses de 2025. A receita de R$ 18.665,10 milhões de julho de 2026 é 0,1% menor que do mês anterior e 5,3% menor que do mesmo mês de 2025.

Para o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, a política econômica restritiva adotada no Brasil não atrai investimentos produtivos. “Com a taxa de juros muito elevada, além de o financiamento da máquina ficar mais caro, o investimento não se justifica”, comenta.

“O Banco Central do Brasil, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 4 e 5 de agosto de 2026, reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, e, embora tenha sido o quarto corte consecutivo, o patamar de juros nominais e reais permanece extremamente restritivo. O elevado custo de captação encarece o financiamento de estoques, capital de giro e a aquisição de bens de capital”, diz o Relatório Setorial da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

EXPORTAÇÕES – As exportações acumuladas no período de janeiro a julho de 2026 somaram US$ 7.632,54 milhões, com crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025. No mês de julho, as vendas externas de US$ 1.129,85 milhões foram 4,2% maiores que as de junho e 10,9% a menos que no mesmo mês de 2025.

Relatório da Abimaq indica que após a recuperação de +4,5% no mês de junho em relação a maio de 2026, as exportações de máquinas e equipamentos voltaram a crescer (+4,2%) e chegaram a US$ 1,1 bilhão em julho de 2026, embora esse valor seja de 10,9% menor que a do mesmo mês de 2025 quando as vendas externas totalizaram
US$ 1,3 bilhão.

Segundo a Abimaq, parte do desempenho positivo acumulado em 2026 decorre da baixa base de comparação do primeiro trimestre de 2025, período marcado pelo enfraquecimento da atividade industrial nos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.

A expansão das exportações registrada no acumulado de janeiro a julho (+8,4%) atingiu cinco dos sete grandes grupos fabricantes de máquinas e equipamentos. Os únicos grupos que apresentaram queda em 2026 foram os de máquinas para bens de consumo (-8,9%) e máquinas para petróleo (-62,0%).

Em 2026, as exportações de máquinas e equipamentos cresceram em grande parte dos mercados. Na América do Norte as vendas aumentaram 2,8%, na Europa 16,2%, na América do Sul 5,8% e nos demais mercados o crescimento foi de 17,4%.

A América do Sul permaneceu como o principal destino das máquinas e equipamentos brasileiros, totalizando US$ 2,56 bilhões. “O cenário internacional, marcado pela desaceleração econômica e por elevada incerteza, tem provocado fortes oscilações nas exportações mensais. No acumulado do ano, apesar da desaceleração observada a partir do mês de maio, o setor mantém desempenho positivo”, diz o relatório.

IMPORTAÇÕES – Nos primeiros sete meses de 2026, as importações totalizaram US$ 19.222,12 milhões, alta de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em julho, as importações de US$ 2.945,69 milhões são 3,3% superiores às observadas no mês anterior e 2,1% a mais que no mesmo mês de 2025.

“Houve aumento das importações de máquinas em 2026, mas o indicador de 12 meses sinaliza perda de ritmo ao longo de 2026, movimento que acompanha a desaceleração dos investimentos domésticos”, diz o relatório da Abimaq.

Segundo o relatório, em julho, o crescimento mensal de 3,3% nas importações refletiu a expansão de compras de máquinas para a indústria de transformação, para infraestrutura e de componentes. Houve, no entanto, redução nas importações de máquinas para construção, agricultura, produção de bens de consumo e para produção de óleo e gás.

No acumulado de janeiro a julho, o crescimento de 3,7% das
importações foi explicado, principalmente, pela maior demanda por máquinas rodoviárias, equipamentos para movimentação e armazenagem de materiais e equipamentos de petróleo.
Em 2026 as máquinas e os equipamentos importados representaram 47,4% do consumo nacional, participação 1,7 ponto percentual superior à observada no mesmo período de 2025 (45,7%).

OUTROS INDICADORES – O consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu em julho de 2026 na comparação com junho (+1,9% ou +1,8% com ajuste sazonal (CAS)). Em relação a julho de 2025, porém, houve retração de 5,3%, o que resultou em queda acumulada no ano de 12,5%. Assim, a aquisição de máquinas e equipamentos, medida pelo consumo aparente, totalizou
R$ 34.619,58 milhões em julho de 2026 e R$ 218.969,77 milhões em 2026

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de máquinas e equipamentos cresceu 0,9 ponto percentual em relação a junho, atingindo 78,4% em julho de 2026. O resultado, no entanto, foi 0,3 ponto percentual abaixo do registrado em julho de 2025, quando o indicador alcançou 78,7%.

A carteira de pedido chegou a 9,4 semanas, nível 3,1% inferior ao observado em junho de 2026, mas 3,3% superior ao de julho de 2025. Esse resultado positivo em relação ao ano anterior é explicado pela expansão na carteira de pedidos do setor fabricante de máquinas para
infraestrutura, setor que vem contribuindo positivamente para a receita liquida da indústria de máquinas e equipamentos.

Em julho, o nível de emprego na indústria de máquinas e equipamentos recuou 0,6%, com o fechamento de cerca de
2,6 mil postos de trabalho em relação a junho. Em julho, o setor somou 413,8 mil pessoas ocupadas, o que representou a perda de
11,1 mil postos de trabalho em relação a julho de 2025. (Franco Tanio)

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