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Tecnologias 4.0: a horizontalidade da segurança eletrônica

 

 

Selma Migliori (*)

 

Os Ministérios da Agricultura, da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) recentemente lançaram o programa Agro 4.0, que investirá R$ 4,8 milhões em 14 projetos pilotos de adoção e de difusão de tecnologias 4.0 para promover o aumento de produtividade e redução de custos no agronegócio brasileiro. A iniciativa ilumina a relação indissociável entre as tecnologias habilitadoras e o futuro dos pilares da economia brasileira. A promoção de ecossistemas 4.0 abre novos mercados para a segurança eletrônica que caminha na transversal e fomenta projetos em diferentes verticais.

 

A inovação é o DNA das empresas de sistemas eletrônicos de segurança, e quando pensamos em disrupção, estamos olhando diretamente para o setor. Não é à toa que, à medida que se consolida o amadurecimento de indústrias 4.0, saúde 4.0, agro 4.0 e cidades inteligentes, o mercado da segurança eletrônica avança e cresce em média 8% ao ano. Em 2019, o crescimento atingiu os 10%.

 

É certo que poucos setores podem contar com essa abrangência e potencial de crescimento imediato e a longo prazo. Conforme o poder público reconhece a essencialidade da tecnologia para promover os índices de desenvolvimento econômico e humano, aumenta a participação da segurança eletrônica nas decisões e projetos de inovação.

 

Para o agronegócio, por exemplo, já contamos com aplicações inteligentes para o rastreamento da evolução de suínos, e softwares de inteligência artificial que analisam as condições da criação e alertam sobre mudanças de comportamento que podem indiciar problemas maiores quando não identificados.  O reconhecimento facial capta o focinho, os olhos e os ouvidos dos animais. As imagens são arquivadas e cada animal ganha uma espécie de identidade única, diferente de qualquer outro indivíduo. Quando o porco está doente, suas feições mudam.

 

A tendência é que cada vez mais o setor produtivo, de maneira geral, e especialmente, produtores rurais e agroindústrias, irão realizar a adoção da segurança eletrônica em suas unidades, fazendas ou plantações – seja diretamente no campo ou na indústria, com soluções de controle de acesso por reconhecimento facial, videomonitoramento e monitoramento perimetral inteligente – que identifica comportamentos suspeitos no entorno e integra as imagens das câmeras diretamente com o banco de dados das autoridades policiais, contribuindo com a Segurança Pública 4.0.

 

Em outra abordagem, soluções de segurança eletrônica colaboram com a gestão de hospitais e clínicas médicas. A Internet das Coisas (IoT), já está presente no atendimento prestado aos pacientes do Hospital das Clínicas, e de outras instituições ao redor do mundo. Para o futuro, pensando na aprovação do Estatuto da Segurança Privada pelo Senado Federal, a instituição da LGPD e marcos tecnológicos como a chegada do 5G, será possível estender essas iniciativas para um número cada vez maior de pessoas – uma vez que a tecnologia garante a escalabilidade das soluções e a integração de dados no ecossistema das cidades inteligentes.

 

Assim, acreditamos que a segurança eletrônica é o denominador comum para diferentes verticais que enxergam no Futuro 4.0 a oportunidade de expandir e fortalecer seus negócios. Por isso, a Abese se abre para novas parcerias que alargam o horizonte de atuação das empresas do setor, seja com o Fórum Brasileiro de IOT, a participação do grupo de elaboração da Carta das Cidades Inteligentes do Ministério de Desenvolvimento Regional, as câmaras temáticas do MCTI, ou a co-fundação do programa Nacional de Inovação Terra 2 Inova. Independente do cenário, a Segurança Eletrônica faz parte da solução.

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(*) A autora é presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese).

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