Eletrônica e Informática

Transformação dos data centers tradicionais é inevitável, muitos serão desativados

 

 

 

Para a Gartner, uma das mais prestigiosas consultorias multinacionais da área de tecnologia, há algo de novo acontecendo no setor de data centers, e não é exatamente o que desenvolvedores e fornecedores desses equipamentos gostariam.

 

A Gartner constatou que muitos data centers estão sendo desligados ao redor do mundo – segundo analistas da companhia, algo em torno de 10% das empresas já desativaram seus centros de dados.

 

E a tendência é de que cada vez mais empresas façam o mesmo, em um movimento tão forte e rápido que a previsão da Gartner é de que, até 2025, 80% das companhias desligarão seus data centers tradicionais.

 

A principal razão deste fenômeno é econômica.  Muitas empresas com data centers mais antigos não desejam reconstruí-los ou criar novas estruturas desse tipo, sobretudo por conta dos altos custos. Elas têm preferido que terceiros gerenciem a infraestrutura física.

 

Os dados das principais métricas de Tecnologia 2019 do Gartner mostram, de fato, que a porcentagem do orçamento de TI direcionado aos data centers diminuiu nos últimos anos e, agora, representa apenas 17% do total.

 

Muitas corporações também estão repensando o posicionamento de aplicações, com base na latência da rede, na quantidade de clusters por clientes e limitações geopolíticas, que não param de crescer.

 

Basta citar, por exemplo, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia, além de outras restrições regulatórias, como a futura Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que deveria entrar em vigor ainda este ano no Brasil, mas foi adiada para 2021.

 

Surgiram também opções tecnológicas apetitosas, como o serviço de Colocation, já frequentemente utilizado como substituto dos data centers tradicionais por oferecer maior disponibilidade, confiabilidade, níveis certificados de camadas de construção, eficiência energética, gerenciamento de instalações dedicadas e capacidade de escala.

 

A Gartner aponta que a possível tendência é de que permanecerão em nível local apenas processos de negócios que são essenciais para a missão das empresas, e que exigem maior supervisão e níveis de controle mais detalhados do que os disponíveis por meio de infraestrutura em nuvem e modelos hospedados.

 

GERADORES – Isto não significa, é claro, que os data centers tornaram-se imprestáveis de uma hora para outra. Muito pelo contrário. Com seu serviço ininterrupto, e sem dúvida eficiente, eles continuam úteis como sempre, e especialmente agora, nesta época de coronavírus e de distanciamento social disseminado. Por causa da epidemia, o volume de dados que trafegam nas redes cresceu exponencialmente.

 

Grandes responsáveis pela descomunal movimentação e armazenamento desses dados, os data centers estão inclusive contribuindo para um inesperado boom na área de geradores elétricos.

 

“É compreensível. O crescimento da demanda digital faz com que as providências sejam mais imediatas e mais urgentes. E como os equipamentos estão cada vez mais robustos, os riscos de incidentes com perda de dados tende a zero, principalmente se os sistemas contam com o apoio de geradores”, explica Heber Jordão, gerente de Power Systems da Distribuidora Cummins Brasil, uma das empresas que mais vem se beneficiando com a explosão de vendas desses aparelhos.

 

Ele diz que uma correta climatização e energia constante garantem o funcionamento adequado de um data center. Mas só um gerador garante o fornecimento de energia em momentos de vulnerabilidade, em operação a carga plena.

 

O cenário está favorável à Cummins no Brasil por ela ser a única fabricante a produzir todos os componentes (as soluções são integradas) que compõem o equipamento – motor, alternador, controlador, radiador, sistemas e controles.

 

Jordão diz que a tendência no mercado de data centers é que os clientes façam as aquisições de grupos geradores de empresas que fabricam os principais componentes, de modo a garantir maior confiabilidade e suporte de todo o sistema. Outro diferencial da empresa nesta área é a customização, já que ela pode adaptar os projetos às necessidades dos clientes.

 

O momento, ele afirma, está sem dúvida ajudando a Cummins – que teve um crescimento no mercado de data centers de 25% no ano passado, na comparação com 2018 – a consolidar a sua participação neste segmento.

 

Na maioria dos casos no mercado de data centers, Jordão explica, o grupo gerador funciona como uma unidade de backup, ou seja, um sistema auxiliar de emergência que entra em operação caso haja falha na rede elétrica, sendo que na maioria dos projetos de missão crítica estes grupos geradores possuem potência superior a 1 mil kVA.

 

A Cummins oferece grupos geradores abertos e com carenagem, a fim de reduzir o ruído e proteger contra ações do tempo. Como opção em solução digital, a Cummins conta ainda com o sistema de monitoramento remoto PowerCommand Cloud, desenvolvido pela companhia e que permite o acompanhamento virtual dos grupos geradores em tempo real, reduzindo os custos de operação e manutenção, além do tempo de inatividade das máquinas instaladas. (Alberto Mawakdiye)

 

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