Eletrônica e Informática

Transição energética avança no mundo, mas perde força

Novo relatório do Fórum Econômico Mundial, publicado no dia 19 de junho, indica que a transição energética global para um sistema mais equitativo, seguro e sustentável ainda está avançando, mas perdeu força. Dos 120 países analisados no relatório, 107 demonstraram avanços em suas trajetórias de transição energética na última década, mas o ritmo global da transição desacelerou, e equilibrar suas diferentes facetas ainda é um desafio significativo. A volatilidade econômica, as tensões geopolíticas exacerbadas e as mudanças tecnológicas tiveram impacto, complicando o ritmo e a trajetória da transição energética. No entanto, há motivos para otimismo, com o aumento dos investimentos globais em energias renováveis e o crescimento considerável no desempenho da transição energética na África subsaariana na última década.

A 14ª edição anual do relatório do Fórum, Fostering Effective Energy Transition 2024, publicada em colaboração com a Accenture, utiliza o Índice de Transição Energética (ETI) para avaliar 120 países quanto ao desempenho de seus sistemas energéticos atuais, com foco no equilíbrio da equidade, sustentabilidade ambiental e segurança energética, além de sua prontidão para a transição. As novidades deste ano no relatório são os “caminhos personalizados” para analisar características específicas de cada país, incluindo nível de renda e recursos energéticos locais, de modo a fornecer recomendações específicas para cada região.

“Devemos garantir que a transição energética seja equitativa, tanto dentro quanto entre as economias emergentes e desenvolvidas”, disse Roberto Bocca, chefe do Centro de Energia e Materiais do

Fórum Econômico Mundial. “A transformação da forma como produzimos e consumimos energia é crucial para o sucesso. É crucial agirmos imediatamente em três principais potencializadores para a

transição energética: reformar o sistema energético atual para reduzir as emissões, implementar soluções de energia sustentável em larga escala e diminuir a intensidade energética por unidade de PIB.

PONTUAÇÕES DO ETI 2024 – A Europa continua liderando a classificação do ETI, considerando que os países dessa região lideram as 10 primeiras posições em 2024. A Suécia (1) e a Dinamarca (2) lideram as classificações e têm sido os líderes todos os anos na última década. Em seguida há a Finlândia (3), Suíça (4) e França (5). Esses países são beneficiados por um forte comprometimento político, investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento, ampla adoção de energia sustentável – acelerada pela situação geopolítica regional, políticas de eficiência energética e precificação de carbono. A França é um novo participante entre os cinco primeiros países, com medidas recentes de eficiência energética que reduziram a intensidade energética no ano passado. Dentre as economias do G20, a Alemanha (11), o Brasil (12), o Reino Unido (13), a China (17) e os

Estados Unidos (19) estão entre os 20 primeiros no ETI, junto à França e novos listados Letônia (15) e Chile (20), que foram impulsionados pelo aumento na capacidade de energia renovável.

Nos últimos anos, a China e o Brasil demonstraram um avanço significativo, principalmente devido a esforços de longo prazo para aumentar a participação de energia sustentável e melhorar a confiabilidade de suas redes elétricas. O compromisso contínuo do Brasil com a energia hidrelétrica e biocombustíveis, os recentes avanços na energia solar, além das iniciativas voltadas para criar novas oportunidades, têm sido fundamentais para atrair investimentos.

Em 2023, a China também aumentou consideravelmente sua capacidade de energia renovável e continuou a crescer e investir em sua capacidade de fabricação em tecnologias sustentáveis, como baterias para veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e outras tecnologias fundamentais. Juntamente com os EUA e a Índia, a China lidera o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias energéticas.

A diferença nas pontuações gerais do ETI diminuiu entre economias avançadas e em desenvolvimento, e o “centro de gravidade” da transição está migrando para os países em desenvolvimento. No entanto, o investimento em energia sustentável continua concentrado em economias avançadas e na China.

Isso ressalta a importância do suporte financeiro das nações avançadas para facilitar uma transição energética justa em países emergentes e em desenvolvimento, além de políticas progressistas em todas as nações para criar condições de investimento verdadeiramente favoráveis. Como não existe uma solução universal, as políticas poderiam ser adaptadas às necessidades únicas de cada país, com base em fatores como nível de renda, recursos energéticos e necessidades nacionais, além do contexto regional.

“O Índice de Transição Energética deste ano deixa uma mensagem clara: é necessário agir com urgência. Os tomadores de decisão globais devem tomar medidas ousadas para retomar o impulso na transição para um futuro energético equitativo, seguro e sustentável. Isso é crucial para as pessoas, as economias e para a luta contra as mudanças climáticas”, diz Espen Mehlum, chefe de Inteligência de Transição Energética e Aceleração Regional do Fórum
Econômico Mundial.

ANÁLISE DE RESULTADOS – As pontuações médias globais do IET bateram um recorde. No entanto, a desaceleração no ritmo da transição energética global, identificada pela primeira vez em 2022, intensificou-se no último ano.

O relatório de 2024 indica que o aumento de três anos nas pontuações globais do ETI entre 2021 e 2024 é quase quatro vezes menor do que o avanço registrado no período entre 2018 e 2021. Além disso, também indica que 83% dos países obtiveram pontuações mais baixas do que no ano passado em pelo menos uma das principais dimensões de desempenho da transição energética: sustentabilidade, equidade e segurança.

Embora o mundo esteja fora da trajetória para alcançar as ambições de emissões líquidas zero até 2050 e manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, conforme exigido pelo Acordo de Paris, houve progresso na eficiência energética e um aumento significativo na adoção de fontes de energia sustentável. A dinâmica da transição energética foi desacelerada por obstáculos na equidade energética, devido ao aumento nos preços da energia nos últimos anos. A segurança energética continua a ser testada por tensões geopolíticas.

A inovação é um fator essencial para a transição energética e pode reduzir custos, dimensionar tecnologias essenciais, renovar e requalificar a força de trabalho e atrair investimentos. Apesar  da recente redução no progresso da inovação e da queda nos investimentos globais em startups em 2023, a inovação continua a avançar em algumas áreas, de acordo com o novo relatório.

As inovações digitais, incluindo a IA generativa, oferecem oportunidades importantes para reduzir essa disparidade e reinventar a indústria energética, aumentando a produtividade. A capacidade da

IA generativa de analisar grandes volumes de dados pode fornecer previsões e soluções inovadoras ou simplificar as operações existentes para aumentar a eficiência, entre outros benefícios. Ainda assim, para concretizar plenamente esse potencial, será crucial abordar os riscos e desafios inerentes a essas tecnologias com responsabilidade e equidade.

“Os executivos seniores sempre dizem que um caso de negócios claro é um pré-requisito para atrair investimentos na transição energética, principalmente diante das taxas de juros mais altas e da escassez emergente de talentos”, diz Muqsit Ashraf, CEO do Grupo, Accenture Strategy. “Acreditamos que um forte núcleo digital, possibilitado pela IA generativa, pode aumentar a produtividade e, consequentemente, os retornos e a disponibilidade de talentos, além de desbloquear uma nova onda de investimentos.”

 

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