Trumpf faz 100 anos em boa forma, focada em alta tecnologia

A Trumpf comemora seu centésimo aniversário em boa forma, posicionado de forma inequívoca com uma empresa de alta tecnologia, que desenvolve e produz máquinas-ferramenta, tecnologia laser de aplicação industrial, soluções para aplicação na indústria eletroeletrônica, incluindo os destinados à indústria de semicondutores e microeletrônica, e softwares, entre outros.
Ancorada na oferta de soluções que dialogam entre si e são necessárias para a manufatura do futuro, a empresa experimenta crescimento na receita. No ano fiscal de 2022/23 (encerrado em 30 de junho de 2023), obteve receita de 5,4 bilhões de euros, 27% acima da do ano fiscal anterior de 4,2 bilhões de euros.
No Brasil, onde completa 42 anos de atuação, o desempenho da companhia é também invejável. A empresa divulga que obteve o melhor desempenho, desde que a empresa chegou por aqui, em 1981. O faturamento alcançou cerca de 70 milhões de euros, mais de 10% acima do recorde anterior, registrado no ano fiscal 2013/14, com 60 milhões de euros. O ano fiscal 2023/24 inicia com uma boa carteira de pedidos, quase 15% acima em euros do ano fiscal passado. Em reais, são mais de 70%, comparados a 2013/14.
O desempenho positivo da companhia, tanto em escala global, como no Brasil, se deve aos fortes em investimentos em pesquisa e desenvolvimento (10,6% da receita no ano fiscal de 2022/23), e ao olhar atento às necessidades dos mercados locais e as mudanças geopolíticas.
No Brasil, por exemplo, a empresa descarta a possibilidade de instalar uma fábrica, ao menos num futuro próximo, dada a escala de mercado insuficiente que justifique uma unidade de produção. Por aqui, a estratégia é reforçar cada vez mais os serviços técnicos, de acordo com o presidente da Trumpf Américas, Lutz Labish (foto), que participou de evento em São Paulo (SP) para comemorar o 100º aniversário da companhia e os 42 anos de atuação no país, no dia 5 de outubro.
Por outro lado, investimentos em produção nos EUA, pela escala do mercado, seguem de vento em popa e a companhia tem uma unidade em Connecticut, que inclui um avançado centro de treinamento e uma fábrica, que ocupa 40 mil metros quadrados e está em fase de expansão: 5 mil metros quadrados serão adicionados. Faz sentido: no mercado norte-americano como um todo, o faturamento da companhia chega próximo do um bilhão de euros, enquanto no Brasil é de 70 milhões euros.
Embora a Trumpf forneça equipamentos de altíssimo valor agregado tanto no Brasil como nos EUA, segundo Labish, os produtos comercializados, na média, têm perfis diferentes. Por aqui, a maior parte dos equipamentos vendidos é de entrada, nos EUA, a procura é maior por equipamentos tecnologia embarcada mais avançada, principalmente porque os EUA, devido à escassez de mão de obra, a busca por automação é cada vez maior.
Para João Carlos Visetti, CEO da Trumpf Brasil, a área de metalmecânica no país ainda está distante de ser um polo avançado de manufatura com produção inteligente, automatizada e interconectada. “Ainda temos muitas tarefas ergonomicamente desaconselháveis para o trabalho humano que são feitas por pessoas, aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, tudo é automatizado, digitalizado e interconectado; as vendas totais dos EUA são dez vezes maiores do que as vendas no Brasil – a parte destinada a smart factories chega a ser quarenta vezes maior.
Segundo Visetti, a principal barreira para a implantação de uma smart factory no Brasil ainda é tecnológica. “Você pode ter uma smart factory sem ter automação, desde que tenha inteligência incorporada. Falta transparência de dados aos processos, para que eles sejam adequadamente direcionados. Ainda há muitas máquinas fazendo coisas que outras máquinas deveriam fazer, e poucos sabem qual é o seu tempo de produção. Com isso, você não tira o melhor do seu equipamento”. O executivo lembra que os dados são essenciais para gerar informação e tornar a tomada de decisão mais produtiva. “Implantar um sistema de dados na produção não é caro. Mas é preciso uma decisão, uma vontade de querer”, ccomplementa.
O olhar para aspectos geopolíticos também define os investimentos da companhia. A Trumpf, de acordo com Labish considera a instalação de uma unidade fabril na Índia, para atender o mercado doméstico indiano e países do Sudeste Asiático. Não se cogita, ao menor por enquanto, utilizar a futura unidade indiana para exportar para os EUA, por exemplo, por conta das preocupações ambientais da empresa, que busca reduzir sua pegada de carbono.
Uma unidade na Índia poderia também ajudar a blindar a Trumpf contra um possível atrito entre Índia e China, que é atualmente o principal mercado na Ásia, onde a companhia obteve receita da ordem de 600 milhões de euros.
A Trumpf certamente não é a única empresa de origem alemã que faz planos para investir no mercado indiano. A Índia é hoje o país mais populoso do planeta, com mais de 1,4 bilhão de habitantes. É também a maior democracia e tem a quinta maior economia. O instituto britânico de pesquisa econômica Oxford Economics prevê taxas de crescimento de cerca de 7% ao ano para a indústria e para a economia como um todo durante os próximos quatro anos.
A Índia é também o sétimo maior mercado de máquinas-ferramenta do mundo. O interesse pelo mercado indiano é grande. Tanto é assim, que durante a EMO, em setembro, foi realizada uma conferência sob o tema: “Oportunidades na Índia crescimento e potencial do mercado indiano de máquinas-ferramenta”.
“A indústria transformadora indiana está prestes a registrar um crescimento notável nas próximas décadas e as máquinas-ferramentas desempenharão um papel fundamental na definição desse progresso”, afirmou o presidente da associação de fabricantes de máquinas-ferramenta da Índia, a IMTMA, Ravi Raghavan.
“O setor indiano de máquinas-ferramenta está atualmente passando por um aumento de conhecimento e inovação, tornando-o um parceiro ideal para empresas líderes do setor e seus fornecedores”, frisou Raghavan. A procura total de máquinas-ferramentas da Índia foi estimada em 2,75 bilhões de euros em 2022. Cerca de 60% deste valor foi atendido por importações. Os maiores fornecedores do país incluem China, Japão, Alemanha, Itália e EUA. (texto: Franco Tanio/foto: divulgação)