Metal Mecânica

Uso de computador doméstico em ambiente industrial pode não ser bom negócio

Os computadores industriais vêm ganhando mais espaço em fábricas inteligentes, substituindo os computadores para uso doméstico. Além de mais robustez, eles possuem proteção contra agentes externos como corrosão, poeira, umidade e interferência eletromagnética. Com maior durabilidade em relação aos PCs comuns, os computadores industriais têm estrutura projetada para suportar ambientes agressivos e possuem maior tempo médio entre falhas (Mean Time Between Failures – MTBF) e baixo tempo médio para reparo (Mean Time to Repair – MTTR).

 

“Essa vantagem garante menor custo e menor risco de acidentes”, explica o gerente da área de IIoT e Indústria 4.0 da Advantech Brasil, Rodrigo Tutilo. De acordo com o Tutilo os computadores industriais diminuem a necessidade de manutenção e ocorrência de paradas inesperadas. Outras vantagens são o maior tempo de vida no mercado e planos mais longos de atualização. “O que se preza é manter o mesmo produto no mercado por bem mais tempo que equipamentos convencionais, além de oferecer maior tempo de garantia. As chances de o produto sair de linha são bem menores”, destaca.

 

Segundo Eduardo Kühn, supervisor de Engenharia de Aplicação – IIoT da Eco Automação Industrial, algumas empresas ainda preferem utilizar nas fábricas os computadores feitos para uso doméstico por conta do preço, o que acaba se mostrando desvantajoso no longo prazo. “A maioria dos PCs comuns, quando utilizados em ambientes com poeira, vibração ou altas temperaturas precisam ser trocados em pouco tempo. Os computadores preparados para ambientes mais hostis são menos sujeitos ao desgaste e à corrosão”, explica.

 

CUSTOMIZAÇÃO E CERTIFICAÇÕES – A composição do hardware pode ser customizada da mesma forma que ocorre com um computador convencional. “É possível definir o processador, a quantidade de memória e armazenamento, o sistema operacional e todos os periféricos que podem ser úteis para sua aplicação”, explica Tutilo. A construção do equipamento, porém, é feita para suportar qualquer intempérie existente no ambiente industrial. Os computadores industriais possuem MTBF de 40.000 a 50.000h, em regime contínuo, e redundâncias em seus subsistemas. Isso reduz os tempos de manutenção e configuração minimiza os riscos de perdas por paradas não planejadas, falhas de comunicação, manutenções fora de cronograma e baixa produtividade.

 

Atualmente, qualquer tipo de aplicação industrial dependerá de uma unidade de processamento, ou seja, um computador, que poderá ser utilizado como centralizador de informação, como unidade para processamento ou armazenamento de dados, como terminal de operação para acesso a serviços internos e externos, conversão de protocolos e/ou informações etc. A configuração é feita de acordo com a necessidade de poder de processamento, portas para conexão, sistema operacional, conectividade com sensores externos etc.

 

Os computadores industriais passam por testes de temperatura, robustez e durabilidade realizados em laboratório que estabelecem as características mínimas para um computador para ser considerado industrial. As certificações podem ser necessárias de acordo com o objetivo e aplicação do computador. Alguns exemplos de certificação são a NEMA (NEMA 12 – Poeira, NEMA 4 – Poeira e Água e NEMA 4X – Poeira, água e corrosão) e C1D2, uso do equipamento em áreas explosivas. Essas certificações são essenciais para prevenir riscos de acidentes.

 

Ainda de acordo com Rodrigo Tutilo, da Advantech, “diferentemente de computadores convencionais, existem várias linhas e modelos para atender determinados ambientes. Isso faz com que estas soluções tenham um ‘encaixe’ muito mais adequado ao cenário industrial.”

Ambientes com alta concentração de poeira e umidade, por exemplo, necessitam de equipamentos com pressão positiva e captação de ar externo através de filtros contra pó ou sem entrada de ar. “Essa tecnologia é conhecida como Fanless (sem ventilação). Neste caso, o equipamento usa a própria estrutura e disposição dos componentes internos para dissipar o calor”, explica Eduardo Kühn, da Eco Automação Industrial.

 

De acordo com os especialistas, o tipo de computador dependerá do ambiente no qual será realizada a aplicação, se haverá vibração, temperatura elevada, poeira ou alguma outra especificidade.

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