Eletrônica e Informática

Uso despenca, mas telefone fixo segue essencial para o setor empresarial 

 

Os números não mentem: a quantidade de linhas de telefonia fixa no Brasil está cada vez menor, e a tendência é que vá caindo ainda mais na medida que cresce a preferência dos brasileiros pelo telefone celular.

 

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mais de 540 mil linhas de telefonia fixa foram descontinuadas apenas em janeiro deste ano. O que fez com que quase 9% das linhas de telefonia fixas fossem canceladas no período de um ano.

 

No final de janeiro de 2024, o país contava com 24,9 milhões de linhas, número 2,1% menor em relação ao total de dezembro de 2023, quando havia 25,4 milhões de acessos de telefonia fixa.

 

Já em janeiro do ano passado, eram 27,3 milhões de linhas fixas ativas no país. Ou seja: o Brasil perdeu 2,4 milhões de acessos durante um período de 12 meses, uma baixa de 8,9%.

 

Nenhuma operadora está conseguindo salvar-se do desastre. A Claro, líder deste mercado, com 7,34 milhões de linhas, perdeu 52 mil clientes em janeiro. A empresa vem registrando queda mensal de 0,7%.

 

Enquanto isso a Oi, que ocupa o segundo lugar no ranking, com 6,6 milhões de linhas fixas, teve no primeiro mês deste ano 75 mil cancelamentos, queda de 1,1% diante de dezembro.

 

Já as linhas descontinuadas da Vivo, a terceira maior operadora do mercado nacional, com 6,3 milhões de linhas, somaram 54 mil.

 

Essa queda no uso dos telefones fixos está, inclusive, dificultando as discussões entre o governo federal e as operadoras, sobre a renovação dos atuais contratos de telefonia, que são na modalidade de concessão e vencem em 31 de dezembro de 2025.

 

As empresas estão exigindo uma atualização do modelo, de modo que mais prejuízos não venham a ocorrer. O governo vê essa proposta das operadoras com evidente desagrado.

 

EXPANSÃO – Enquanto isso, o serviço de telefonia celular continua em plena expansão no país. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação 2022, a Pnad TIC, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2022, nada menos do que 160,4 milhões de brasileiros tinham um aparelho de telefone celular para uso pessoal, o equivalente a 86,5% da população com 10 anos ou mais.

 

A pesquisa traz dados interessantes: a proporção de usuários de telefone móvel celular foi de 88,9% entre os habitantes de áreas urbanas e de 71,2% entre os moradores da área rural.

 

Já as mulheres são as maiores usuárias. De acordo com a pesquisa do IBGE, a fatia de mulheres com telefone celular foi de 88,0%, diante de uma porcentagem de 85,0% entre os homens.

 

Destaque-se que a pesquisa mostra uma expansão contínua da posse de telefone celular desde o início da série histórica, em 2016, quando 77,4% da população de 10 anos ou mais possuíam o aparelho.

Essa fatia subiu a 81,4% em 2019, passando a 84,4% em 2021, até alcançar os 86,5% vistos em 2022.

 

Naturalmente, o IBGE também quis saber porque há uma minoria de brasileiros, pequena, mas consistente, que não possui o aparelho.

Entre os 25,0 milhões de brasileiros sem telefone móvel celular para uso pessoal em 2022, o equivalente a 13,5% da população de 10 anos ou mais de idade, 54,1% eram homens e 45,9%, mulheres. Explica-se assim porque as mulheres são dominantes na modalidade.

 

Quanto à faixa etária, 34,5% tinham 60 anos ou mais de idade, e outros 20,9% tinham de 10 a 13 anos. Ou seja, duas faixas de idade que normalmente estão fora de uma vida produtiva plena.

 

Por nível de escolaridade, 78,8% não tinham instrução ou não haviam completado o ensino fundamental.

 

Mais ou menos óbvios são os motivos mais citados para a ausência de telefone celular. Não saber usar o aparelho foi o motivo mais citado (26,5%), seguido pelo preço alto do aparelho telefônico (24,8%) e a falta de necessidade (22,0%).

 

O uso do telefone móvel de outra pessoa (11,6%), a preocupação com privacidade ou segurança (4,7%), o alto preço do serviço (3,1%) e a indisponibilidade do serviço nos locais que a pessoa costuma frequentar (1,0%) foram outras razões alegadas.

 

USO EMPRESARIAL – Aparentemente, o que deve dar uma sobrevida à telefonia fixa, além da preferência à modalidade pelas pessoas mais velhas, é a necessidade que o mundo empresarial ainda tem de um telefone fixo.

 

De fato, além de ser uma referência para o público externo ainda não substituída pelo celular, o telefone fixo continua sendo indispensável tanto para o atendimento de clientes e fornecedores, como para a centralização deste atendimento dentro da empresa.

Hoje, a virtual não aquisição de novas linhas para residências – o outro lado da moeda do cancelamento de tantos acessos – só está sendo compensada, na prática, pela procura da modalidade pelas empresas, cada vez menor, mas ainda digna de nota.

 

Mas as novas tecnologias já ameaçam até esta sobrevivência. O VoIP corporativo armazenado na nuvem, por exemplo, vem ascendendo aos poucos desde os anos 2000, e muitas empresas já migraram ou começaram a migrar a sua telefonia para essa tecnologia, em grande parte por causa da adesão em massa dos brasileiros aos celulares. (Alberto Mawakdiye)

 

 

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