Metal Mecânica

Alta dos custos com energia preocupa micro e pequena indústria paulista

As crises hídrica e energética provocadas pela falta de chuvas têm agravado o prejuízo financeiro de empresas em todos os segmentos, especialmente entre as micro e pequenas indústrias, cujo repasse das sucessivas altas de preços muitas vezes é inviável. Segundo a pesquisa Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria, realizado pelo Datafolha, a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), os reflexos da seca ameaçam os negócios e o crescimento econômico do país será muito prejudicado, é o que afirma 51% das micro e pequenas indústrias ouvidas. Em relação ao fornecimento de energia para a empresa, 40% dos entrevistados avaliam que haverá muito prejuízo, e uma parcela de 27% acredita que a falta de chuvas irá prejudicar muito os negócios da empresa de maneira geral.

A maioria das micro e pequenas indústrias (56%) se posiciona a favor de uma possível volta do horário de verão como alternativa para minimizar a crise de energia. Outras 36% são contra e para 7%, seria indiferente. De acordo com a pesquisa, subiu de 68% para 74% o índice de empresas com alta significativa na conta de energia em relação ao mês anterior.

Quando perguntadas sobre o impacto do aumento da conta de energia nos negócios, o percentual de micro e pequenas indústrias que consideram grande o prejuízo para a empresa subiu de 21% para 33% entre agosto e setembro. Para 33%, os aumentos na conta prejudicam um pouco e para 34% não há prejuízos.

CUSTOS DE PRODUÇÃO – O Índice de Custos das Micro e Pequenas Indústrias recuou de 66 para 61 pontos entre agosto e setembro, dentro de uma escala que vai de 0 a 200, sendo 200 o resultado ótimo, ou seja, em que nenhuma empresa é impactada por alta significativa em seus custos de produção. O índice está abaixo de 100 pontos pelo nono mês seguido.

Sete em cada dez (70%) micro e pequenas indústrias relataram alta significativa de custos, espelhando o cenário de fevereiro último. Há seis anos, não eram registrados números tão elevados, nem por tempo prolongado como agora.

Quando consultados sobre as dificuldades enfrentadas nos últimos 15 dias, os principais entraves para as micro e pequenas indústrias são a alta nos preços de matérias-primas e insumos (80%), atraso na entrega de matérias primas e insumos (50%), falta de matéria prima e insumos nos fornecedores (48%) e baixa qualidade dos materiais entregues (26%).

EXPECTATIVA PARA OS NEGÓCIOS – Os resultados de setembro trazem ainda um cenário pessimista em relação ao futuro e a expectativa de melhora nos negócios recua pelo terceiro mês seguido. No mês de julho, 59% das micro e pequenas indústrias projetavam um cenário de melhora para os negócios, índice que recuou para 54% em agosto e em setembro chegou a 51%.

Na avaliação do presidente do Simpi, Joseph Couri, a pesquisa aponta para um agravamento da crise, puxado pela contínua alta de preços, que somados, acentuam a curva de elevação no índice de custos das empresas. “Estes fortes aumentos de custos representam um possível repasse de preços e consequente aumento da inflação, além da perda de poder aquisitivo. Isto porque os aumentos salariais não acompanham as sucessivas elevações de custos sofridas pelas empresas. Todos perdem com a inflação, especialmente quem trabalha na produção. A pesquisa aponta ainda queda no otimismo do empresário pelo terceiro mês seguido”, alerta. Para Couri, a pressão sobre os custos tende a se manter, principalmente por conta do aumento da energia elétrica e dos derivados do petróleo, impactando no custo de produção e no aprofundamento da crise de consumo e perda do poder aquisitivo.

A coleta de dados para a pesquisa ocorreu de 20 a 30 setembro de 2021.

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