Eletrônica e Informática

Brasil bate recorde em número de empresas abertas no primeiro trimestre

 

 

 

A decisão de empreender nem sempre é impulsionada pela vontade de progredir na vida e, eventualmente, de fazer fortuna. Muitas vezes ela é tomada por pura necessidade.

 

É como a consultoria Serasa Experian analisa a surpreendente explosão de novas empresas abertas no país no primeiro trimestre do ano, nada menos do que 889.003 empreendimentos, o maior número observado para o período desde 2010, início da série histórica da pesquisa.

 

Para ter uma ideia, o volume é, simplesmente, 17,1% superior ao de igual período de 2019, quando 759.257 novas empresas haviam sido abertas, de acordo com o Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa.

 

“A necessidade de gerar renda em meio ao desemprego e ao cenário econômico instável foi, sem dúvida, um dos principais motivadores desta onda empreendedora no começo do ano”, avalia o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. “E a tendência se aprofundou com a chegada efetiva no novo coronavírus no país, na virada de fevereiro para março”.

 

De fato, quando considerado apenas o último mês de março, o surgimento de novas empresas aumentou em 24%, a maior expansão do ano. Já na passagem de fevereiro para março, sem ajuste sazonal, houve uma alta de 10,4%. Um óbvio efeito da pandemia.

 

SIMPLICIDADE – De acordo com a Serasa Experian, os microempreendedores individuais (MEIs) e as empresas de serviços despontaram como as mais criadas no período. De cada 10 empresas abertas entre janeiro e março, 7 (69,6%) atuam no segmento de serviços.

 

O comércio respondeu por uma fatia de 21,8% dos novos empreendimentos, ao passo que as indústrias representaram somente 7,4% do total de empresas abertas.

 

“O custo de abrir o negócio é um fator que pesa na decisão dos novos empreendedores”, afirma Luiz Rabi. “Despontam aquelas empresas que exigem pouco investimento em equipamentos, não precisam de ponto comercial para funcionar e que dependem, basicamente, da mão de obra do empreendedor”, ele observa.

 

Isto explica, segundo o especialista, a participação muito maior dos MEIs na fornada de novas empresas surgidas no primeiro trimestre, mais de 700 mil dentro de um total pouco menor de 890 mil.

 

Com um crescimento de 11,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, elas representaram 79,3% das aberturas, o que contabiliza 707.022 novos CNPJs que se encaixam nesta natureza jurídica.Empresas MEI não precisam de quase nenhuma estrutura para começar a funcionar.

 

As empresas classificadas como Sociedades Limitadas também tiveram um crescimento robusto no primeiro trimestre, com um avanço de 60,4% na abertura de novos empreendimentos, embora tenham representado apenas 8,5% do universo de novos negócios, o que significa 75.939 empresas criadas no período.

 

Já as Empresas Individuais perderam espaço no trimestre, com uma queda de 13,2% – respondendo por uma fatia de 4,1% total de empresas abertas no período (36.058 novos empreendimentos.

 

Para Rabi, o cenário de aumento das demissões a partir de março, em virtude dos impactos do isolamento social, sugere que o indicador deve ter crescido nos meses subsequentes àquele mês, impulsionando a criação de MEIs, modalidade mais comum entre pessoas que recorrem ao empreendedorismo por necessidade.

 

“Pessoas que perdem o emprego em momentos de incertezas econômicas buscam no empreendedorismo e no trabalho por conta própria, geralmente feito de casa, uma saída para voltar ao mercado”, analisa.

 

Segundo a consultoria, dos cinco estados brasileiros que lideraram o ranking de abertura de novas empresas no primeiro trimestre, três estão localizados na região norte: Amazonas (46,9%), Pará (35,2%) e Roraima (31,9%).

 

Mas, embora a região sudeste tenha apresentado o menor crescimento de novas empresas no primeiro trimestre deste ano (14,7%), ela deteve, em números absolutos, a maior quantidade de novos negócios: 462.555, certamente devido ao seu maior peso populacional.

 

A região norte, com 45.248 empresas criadas no período, despontou na liderança do crescimento percentual, com uma alta de 30,7%. Depois aparecem o sul (20,2%), centro-oeste (20,0%) e nordeste (16,2%). (Alberto Mawakdiye)

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