Cabotagem ajuda a encurtar distâncias entre a região Norte e o restante do Brasil
O eletrodoméstico ou eletroeletrônico comprado recentemente pode ter viajado de Manaus (AM) a São Paulo (SP) dentro de um avião ou de um contêiner, a bordo de caminhão, em um navio e novamente de caminhão. Da mesma forma, motocicletas, peças e componentes de um fogão, geladeira ou aparelho de TV tiveram uma logística semelhante.
Ligar ferrovias, rodovias, hidrovias, terminais marítimos e aéreos para conectar regiões produtoras a mercados consumidores é um grande desafio para todas as empresas e, principalmente, para as empresas de logística e Operadoras de Transporte Multimodal (OTM). Quando se olha para a região Norte do país, a maior do Brasil, que representa mais de 40% de todo o território nacional, o desafio é ainda maior. É necessário entender seus aspectos econômicos de produção, destino e consumo, e suas inúmeras características territoriais.
A região Norte possui poucas rodovias pavimentadas e uma malha hidroviária superior a 16 mil quilômetros, sendo o transporte por rios o principal meio de locomoção de pessoas e produtos, com grande fluxo de embarcações. Além disso, quando se olha o Brasil de ponta a ponta, há ainda uma estrada pelo mar, a BR do Mar, com mais 8 mil quilômetros de extensão e que pode e está sendo usada no transporte por cabotagem.
“A solução logística para a região Norte requer a combinação de modais, hidroviário, cabotagem, aéreo e rodoviário, quando possível. Com exceção do modal aéreo, utilizado no transporte de produtos mais sensíveis, como eletrônicos montados ou produzidos na Zona Franca de Manaus, a cabotagem é a solução mais barata para o ir e vir de produtos”, explica Clayton Alencar, diretor de Operações da Costa Brasil em Manaus.
Com uma economia baseada na extração mineral, agronegócio e indústrias da Zona Franca de Manaus e de Belém, com suas grandes empresas e sofisticada tecnologia, a região Norte abastece o país com seus produtos e, foi a logística que garantiu o desenvolvimento do setor industrial, que já possuía incentivos fiscais, e que precisou se reinventar rapidamente para garantir o abastecimento e o escoamento da produção para exportação e para outras regiões do país.
Já no caminho inverso, diariamente chegam produtos de outras regiões, que alimentam, principalmente o varejo, com produtos de higiene, alimentícios, construção civil e matéria-prima para as montadoras dos parques industriais, entre outros.
Há 10 anos, a Costa Brasil vem ampliando sua atuação no Norte do país. Sendo a cabotagem um dos modais mais utilizados, o que possibilita a empresa manter rotas regulares, entregando os mais variados produtos para o varejo e atendendo atacadistas que compram diversos produtos de fornecedores do Sul e Sudeste. Nessas operações são utilizadas as modalidades de embarques fracionado, compartilhado e consolidado, de acordo com a demanda de cada cliente.
“Trata-se de uma das nossas maiores operações em frequência e volume. Realizamos a estufagem de contêineres em nossos armazéns, junto aos portos do Sul e Sudeste e descarregamos em Manaus, fazendo o transporte final até o cliente”, explicou Alencar.
De Manaus para o Sul e Sudeste, os desafios logísticos da região fizeram com que a empresa se especializasse no transporte de produtos de siderurgia, como perfis metálicos, chapas e bobinas, entre outros, para garantir a entrega sem avarias e com preços competitivos.
De acordo com Roberto Veiga, diretor Comercial da Costa Brasil, a empresa projetou equipamentos exclusivos, especialmente, para atender a essa linha de produtos, otimizando tempo e reduzindo custos.
“Antes, um contêiner com esse tipo de produto demorava de três a quatro horas para ser estufado. Hoje, com os nossos equipamentos, realizamos este processo em 25 minutos, no máximo”, explicou Roberto Veiga.
Os equipamentos foram desenvolvidos para atender um dos seus grandes clientes em Manaus, a Amazon Aço. Dentro da fábrica da Amazon Aço, a Costa Brasil mantém cerca de 10 colaboradores para receber as peças na linha de produção, fazer o transporte para o pátio e estufar os contêineres para embarcá-los em caminhões e, depois, em navios.