Metal Mecânica

Startup brasileira desenvolve tecnologia que usa bactérias para recuperar ouro na mineração

 

 

A Itatijuca Biotech, empresa residente na Incubadora USP/Ipen-Cietec e especializada no desenvolvimento de rotas para processamento mineral, acaba de implementar um projeto de biotratamento de minério de ouro, em escala piloto, na mineradora Tório Mining, no Mato Grosso. Após o tratamento biotecnológico, os testes laboratoriais revelaram um aumento de 300% na recuperação do ouro da mineradora.

 

De acordo com Rafael Vicente de Padua Ferreira, CEO e founder da Itatijuca Biotech, a planta piloto de biotratamento de minério, desenvolvida pela empresa, permitirá uma avaliação precisa dos custos de implementação da tecnologia em escala industrial, bem como de seus benefícios. “Nossa solução usa as bactérias das espécies Acidithiobacillus ferrooxidans e a Acidithiobacillus thiooxidans para expor as partículas de ouro que não podem ser recuperadas pelos processos tradicionais”, informa.

 

Baseada em biotecnologia e química verde, a técnica é conhecida no mundo acadêmico e científico como biohidrometalurgia, tecnologia que utiliza rotas com micro-organismos para a recuperação de metais presentes em minérios sulfetados e oxidados, na fase de pré-tratamento ou de processamento de minérios, concentrados e rejeitos.

 

“Portanto, a biohidrometalurgia, em resumo, é um conjunto de processos biotecnológicos que tem como objetivo recuperar metais ou retirar as impurezas dos minérios. Uma de suas principais vantagens é o aproveitamento de rejeitos de minérios com teores reduzidos de metais e a geração de resíduos mais estáveis quimicamente favorecendo a sua disposição segura”, complementa Ferreira.

 

PROCESSO E BENEFÍCIOS – A aplicação da biohidrometalurgia na mineração pode ser realizada em plantas que já estão em operação, com a adição de um módulo de processo biotecnológico. Entretanto, a melhor estratégia é implantar o processo na fase inicial do projeto de uma planta, partindo do zero, como é o caso da planta da Torio Mining. Dessa forma, a implantação é feita com custos muito mais baixos, eliminando a necessidade de uma planta de ácido sulfúrico para o processamento mineral, pois as próprias bactérias utilizadas, inofensivas aos humanos, produzem o ácido. Ou seja, ocorre uma redução significativa de custos com instalações, processos operacionais e insumos – ácidos e agentes oxidantes.

 

Esse método otimiza toda a operação e, além de reduzir custos para a mineradora, possibilita um licenciamento ambiental mais simples. O processo ainda consome CO2, não emite gases poluentes, não envolve queima de nenhum material e necessita de pouca energia. Portanto, é mais econômico e sustentável, reduzindo os danos ao meio ambiente.

 

O processo começa com o apetite das bactérias pelo enxofre contido no minério. Após comer a substância, o metabolismo dos microrganismos produz um líquido ácido e corrosivo – o ácido sulfúrico, fazendo com que os metais sejam separados e dissolvidos na solução. A técnica serve para recuperação, principalmente, de cobre e de seus compostos, mas também pode ser aplicada em minas de ouro, como é o caso da Tório Mining.

 

Nesta situação, as partículas de ouro ficam encapadas com os minerais que contêm enxofre, o que impede os reagentes que retiram o ouro de alcançá-lo, provocando uma baixa eficiência no processo. É aí que entram as bactérias que se alimentam desse mineral, desencapando e recuperando as partículas de ouro.

 

Este processo pode ser feito em grandes tanques, que são reatores químicos revestidos com polipropileno (PP) com a estrutura em aço, ou por meio da aplicação da solução sobre pilhas de minério, envolvidas por uma manta especial com a função de evitar o vazamento do ácido sulfúrico e a contaminação do solo.

 

A duração do processo é de aproximadamente sete dias, com a necessidade da presença de oxigênio no ambiente e controle constante de temperatura abaixo dos 60º C, considerando que esta reação é exotérmica, ou seja, libera energia na forma de calor.

 

 

A STARTUP – A Itatijuca Biotech é a única empresa brasileira com o domínio de rotas biotecnológicas para processos de mineração, que permite a recuperação de cobre e outros metais presentes em minérios oxidados e sulfetados, bem como o tratamento de carvão, além do pré-tratamento de minérios e concentrados refratários (resistentes ao ataque químico ou de temperatura) de ouro e remoção de cianicidas antes do processo de cianetação. A Itatijuca é focada no desenvolvimento de processos, tecnologia, estudos de caracterização do minério, rejeitos e efluentes, testes de bancada e planta piloto.

 

Além da definição de plano de amostragem, rota de processos e parâmetros fundamentais para a elaboração dos projetos das instalações industriais, bem como apoio aos clientes para elaboração dos projetos de engenharia, implantação, pré-operação e operação. Além de desenvolver processos para mineração, a Itatijuca também atua no desenvolvimento de tecnologias para resolver problemas industriais e, em 2016, começou a desenvolver produtos biotecnológicos para o setor Agro.

 

Fundada em 2014, a empresa foi planejada por Ferreira no fim de seu doutorado sobre tecnologia nuclear. Residente e graduada na Incubadora USP/Ipen-Cietec, a empresa conta com programas de capacitação, apoio ao acesso a linhas de fomento, relação com potenciais investidores e mentorias, entre outros incentivos oferecidos pela incubadora. (foto:divulgação)

 

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