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O valor do 5G e do edge computing na transformação das empresas da América Latina

Daniel De Vinatea

O Edge Computing e o 5G são dois assuntos do momento, graças ao seu enorme potencial para viabilizar e explorar a transformação digital acelerada pela pandemia. A expansão de ambos é uma relação simbiótica – enquanto o edge computing já está presente no mercado há alguns anos, seu crescimento será bastante impactado pelo 5G, e o 5G, é claro, depende da borda da rede para uma adoção bem sucedida.

Para atender às demandas da digitalização, as aplicações têm a missão de proporcionar experiências cada vez mais fluidas, em que a latência é uma inimiga. Nesse contexto, o edge computing oferece pequenos ou micro data centers que incluem mais infraestrutura de energia, de gerenciamento térmico e de gerenciamento de TI, implementados mais próximos aos consumidores dos dados para que eles sejam entregues com a menor latência. Mas para que isso seja possível, é necessária uma rede de 5G com as características certas de velocidade, largura de banda e conectividade. Em resumo: o 5G viabiliza e expande o potencial daquilo que o edge computing realiza.

É uma situação de ganha-ganha que abre o caminho para uma nova revolução nos processos de produção e de operação de diversos setores, permitindo que eles sejam mais produtivos, automatizados e eficientes.

A tendência é definitiva. De acordo com previsões globais do IDC, em 2024, 50% da infraestrutura do mundo deverá estar na borda da rede. Na América Latina, os investimentos em edge computing também estão aumentando e, de fato, a empresa de consultoria espera que em 2024 a taxa de crescimento anual composta (CAGR) para a região chegue em 16%, o que significa investimentos de 8,5 trilhões de dólares.

O prognóstico do IDC é de que os maiores responsáveis pelos investimentos na borda da rede na região serão as inovações nos veículos autônomos, na robótica, na Internet das Coisas (IoT) e na Inteligência Artificial (IA).

POTENCIAL PARA AS VERTICAIS – A implementação do edge computing e das redes 5G nos setores mais dinâmicos já está tendo impactos operacionais interessantes no mundo. São avanços que podem agregar muito valor no desenvolvimento da América Latina.

Em termos da indústria manufatureira, a borda da rede está permitindo gerenciar os dados das fábricas que são cada vez mais numerosos, sistematizar processos de produção e até monitorar e controlar máquinas remotamente através da Internet das Coisas (IoT). Ao mesmo tempo, pelo lado do consumidor, o varejo inteligente e a realidade aprimorada estão alterando completamente a experiência de compras.

Outros exemplos podem ser vistos no setor de saúde, representados pela telemedicina para acessar mais facilmente os pacientes, incluindo a telecirurgia que permite o melhor uso do tempo dos especialistas para ajudar mais pacientes através de cirurgias remotamente assistidas. Outro exemplo é o setor de educação, com o 5G massificando o uso da Internet e a sincronização de aplicativos para que os alunos possam assistir a aulas virtuais onde e quando quiserem.

Adicionalmente, o controle remoto de gruas nos portos também possibilita que o setor de logística melhore a sua produtividade e garanta operações contínuas mesmo durante lockdowns devidos à pandemia, proporcionando mais níveis segurança para seus colaboradores. Situações similares ocorreram no setor de mineração com os caminhões de direção autônoma.

Em relação às telecomunicações, o potencial atinge duas vertentes. As operadoras de telecom são tanto usuárias quanto fornecedoras, o que significa que elas não apenas configuram suas próprias redes na borda, mas também oferecem serviços de edge computing aos seus clientes. Isso faz com que a topologia de rede seja vista mais como um data center do que como uma rede de comunicação tradicional.

O potencial para o edge computing é gigantesco, entretanto, como já mencionado, seu crescimento está diretamente relacionado à penetração do 5G e a América Latina ainda tem muito o que fazer em relação a essa questão.

Como evidenciado nos relatórios da Statista de 2022, o Brasil e o México são os mercados mais promissores, em que as conexões móveis por 5G devem chegar, respectivamente, a 20% e 14% em 2025. Para o restante da América Latina, a previsão de penetração para aquele ano é de 12%.

Os dados revelados pela Statista mostram que a região está indo na direção certa e que o progresso logo será sentido. Entretanto, para haver uma maior adoção do edge computing e a concretização dos seus benefícios para o desenvolvimento dos diversos setores da economia, a implementação do 5G precisa ser acelerada.

ARTICULAÇÃO DE DOIS MUNDOS – Disponibilidade, segurança, gestão da energia e monitoramento são desafios que surgem quando falamos sobre a articulação entre 5G e Edge Computing em qualquer lugar do mundo. À medida que essas tecnologias ganham força, os data centers se tornam mais complexos e seu gerenciamento se torna mais exigente. Isso acontece porque os operadores precisam gerenciar centenas (ou milhares) de data centers de edge computing para maximizar o potencial de suas redes 5G.

Para equacionar esse desafio foram definidos os quatro modelos de infraestrutura de Edge. Esses modelos padronizam o design e a implementação de diversos hubs de Edge Computing, incluindo os que dão suporte às redes 5G: Edge de Dispositivo, Micro Edge, Data Center de Edge Distribuído e Data Center de Edge Regional.

Para apoiar esses quatro modelos, o mercado conta com diversas soluções de infraestrutura, como sistemas de distribuição de energia, sistemas de gerenciamento térmico eficientes, plataformas de monitoramento, KVMs e servidores de console avançados, bem como sistemas modulares integrados que combinam isso tudo de maneira eficiente.

Daniel De Vinatea é diretor de Operações de Vendas, Entrega e Execução para a Vertiv Latam.

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