Metal Mecânica

Setor de máquinas fechará 2021 com crescimento de 20%; expectativa é de expansão de 4% em 2022

Com os indicadores conjunturais do mês de outubro fechados, o setor de máquinas e equipamentos já garante um crescimento da ordem de 20% em 2021 sobre 2020, ainda que o desempenho de novembro e dezembro sejam inferiores na comparação com os respectivos meses anteriores, dada a sazonalidade. Para 2022, o crescimento setorial deverá ser mantido, ainda que em patamares mais baixos. A expectativa da Abimaq é de expansão da 3,6% a 4%, considerando incremento de 1% no PIB nacional, afirmou a diretora de economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, em coletiva de imprensa virtual para divulgar os dados setoriais, realizada no dia 25 de novembro.

Na comparação do desempenho do mês de outubro com o mês anterior, a maior parte dos indicadores foi negativa. A receita líquida total, de R$ 18.436,80 milhões é 6,4% menor que a de setembro e 2,2% inferior que a do mesmo mês de 2020, interrompendo o período de 15 meses de crescimento consecutivo nessa comparação. Tal desempenho foi devido à relativa piora no mercado doméstico, que encolheu 3,3%. As exportações continuam registrando crescimento de mais de 31%. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, porém, a receita de R$ 182.171,45 milhões é 25,4% maior que no mesmo período do ano passado. Até setembro, o crescimento acumulado era de 29,5%.

A receita líquida interna de R$ 13.926,77 milhões do mês de outubro é 6% inferior à de setembro e 3,3% menor que do mesmo mês de 2020. No acumulado do ano, a receita interna somou R$ 139.536,77 milhões, 31,5% superior ao do mesmo período de 2020. O recuo de 2,2% na receita de outubro de 2021em relação ao mês de outubro de 2020 ocorreu principalmente pela piora nas atividades de produção de determinados bens de consumo (alimentos, produtos farmacêuticos, produtos de higiene) que este ano acumularam queda na sua produção. Por outro lado, os setores os fabricantes de máquinas para agricultura, máquinas rodoviárias e máquinas para a indústria de transformação, mantêm o desempenho positivo, ainda que com menores taxas de crescimento.

EXPORTAÇÕES – No mês de outubro de 2021 as exportações foram de US$ 814,09 milhões, refletindo queda de 10,5% em relação a setembro e crescimento de 31,6% em relação ao mesmo mês de 2020. No acumulado até outubro, as exportações totalizaram US$ 7.453,24 milhões, com crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período de 2020. Em outubro de 2021 o valor acumulado das exportações representou 23,4% da receita do setor.

Na comparação mensal, os setores fabricantes de máquinas para bens de consumo, equipamentos para infraestrutura, máquinas para a indústria de transformação e máquinas para agricultura, registraram crescimento. No ano, exceto pelo setor de máquinas para petróleo e energia renovável, predominou o desempenho positivo. Entre os setores que acumularam crescimento em 2021 destacam-se: Máquinas para logística e construção civil (56,9%); Máquinas para agricultura (37%); Máquinas para a indústria de transformação (+37,6%);  e Componentes (+26,7%).

No acumulado de janeiro a outubro, as exportações para países da América Latina apresentaram forte recuperação de 52,1%. Para a China, as exportações de máquinas e equipamentos deram um salto espetacular de 459,8%. Os Estados Unidos, principal destino das exportações de máquinas e equipamentos, registraram incremento de 13,2%. As vendas para os países da zona do euro registraram crescimento de 13,5%.

IMPORTAÇÕES – As compras do exterior somaram US$ 1.898,28 milhões no mês de outubro, com queda de 2% em relação a setembro e crescimento de 43,5% na comparação com o mesmo mês de 2020. No acumulado de janeiro a outubro, as importações totalizaram US$ 17.443,20 milhões, crescimento de 24% em relação ao mesmo período de 2020.

Quase 70% do aumento observado nas importações, na comparação interanual (43,5%), foi relacionado à aquisição de máquinas para a indústria de transformação e componentes para bens de capital. As importações de 2021 vêm oscilando em patamar próximo ao observado antes da pandemia da Covid-19, mas ainda bem distante do pico de 2013.
No mês de outubro as importações de máquinas utilizadas na fabricação de bens de consumo, como alimentos, produtos farmacêuticos e embalagens encolheram novamente. No mês, houve queda ainda nas importações de máquinas para construção civil, para infraestrutura e para a indústria de transformação. Por outro lado, houve crescimento nas importações de componentes, especificamente em geradores, que cresceram 92% na comparação com o mês de setembro de 2021 e de 856% sobre o mesmo mês de 2020. Houve crescimento ainda nas importações do setor agrícola (+7,9%).

No acumulado de janeiro a outubro, as importações oriundas da China cresceram 57,9%, consolidando a posição do país como líder, com pouco mais 25% das compras totais de máquinas pelo Brasil. No mesmo período, as compras vindas dos EUA recuaram 11,6%, levando o país a ocupar a segunda posição (18,1% de share). As importações da terceira colocada, Alemanha, cresceram 13,1%.

CONSUMO APARENTE – No mês de outubro, o consumo aparente de máquinas e equipamentos somou R$ 25.915,48 milhões, com queda de 2,7% na comparação com setembro e crescimento de 2,6% em relação ao mesmo mês de 2020. No mês, houve queda na aquisição de bens produzidos localmente (6%). Nas importações medidas em dólares houve queda de 2%, mas, em reais, crescimento foi de 1,5%. No mês o real desvalorizou 4,9% frente ao dólar. No acumulado do ano, o consumo aparente foi de R$ 254.120,59 milhões, expansão de 18,2%, pela influência positiva tanto da produção local quanto das importações. Porém, a aquisição de bens locais predominou, elevando a participação para 55% contra 49% no mesmo período de 2020.

CARTEIRA DE PEDIDOS – A indústria de máquinas e equipamentos tem carteira de pedidos para 12,1 semanas, registrando queda de 2,6% na passagem de setembro para outubro, mas em relação ao mês de outubro de 2020 se encontra patamar 17% superior. Houve incremento da carteira do setor fabricante de máquinas para infraestrutura e indústria de base, que passou de 18,1semanas para 28.

No mês de outubro de 2021 houve novo recuo no nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, desta vez de 1,1 ponto percentual, o segundo seguido em 2021, e atingiu 82,5%. No mês de outubro de 2021, a indústria de máquinas e equipamentos registrou 367.337pessoas empregadas,  crescimento de 0,4% no número de pessoas empregadas em relação a setembro. Em 2021 o setor empregou 42 mil pessoas a mais. Em 31 de dezembro de 2020, havia 325 mil pessoas empregadas no setor. (Franco Tanio)

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